ONG em Divinópolis assiste pessoas com HIV ou Aids

Ana Laura Corrêa

Em novembro de 2014, o fotógrafo Rodrigo Silveira, aos 28 anos, fez um exame de rotina e descobriu que tinha HIV.

— Senti que eu iria morrer a qualquer momento. De imediato, não aceitei. Meu psicológico ficou muito abalado. Hoje, lido muito bem com isso. Não é algo que me deixa para baixo ou me faz sentir inferior aos outros. Busquei ajuda e pesquisei muito sobre o tema.

Ele diz que sempre teve acesso aos métodos de proteção.

— Mas, como todo jovem, vez ou outra não usamos — disse.

A família só ficou sabendo do diagnóstico um tempo depois.

—Eu precisava de um tempo para absorver tudo e ser forte para poder contar para meus pais. Falei primeiro para amigos mais próximos e, depois de quase um ano, para minha família. Hoje penso que deveria ter contado no início, sofri muito com tudo isso e teria sido mais leve se tivesse o apoio deles — conta.

ONG

Rodrigo já teve um perfil falso criado em seu nome em um aplicativo de relacionamento, expondo sua condição sorológica. Para ele, uma das maiores dificuldade das pessoas vivendo com o HIV ou Aids é enfrentar o preconceito, gerado muitas vezes pela falta de informação.

—Senti isso na pele e resolvi dar início à ONG Florir (@ongflorir nas mídias sociais) para prestar assistência às pessoas que vivem com HIV ou Aids, independentemente de orientação sexual, sexo, raça ou religião. 

A ONG foi fundada este ano no dia mundial da luta contra o vírus, em 1° de dezembro, junto com seu noivo, Daniel Melo, que não tem HIV e dá total apoio a Rodrigo na luta contra o preconceito.

—Temos atendimento online de acolhimento, direcionando as pessoas para centros de saúde.  Recebemos de braços abertos tanto aquelas que não escondem sua sorologia, quanto as que ainda sentem medo de se expor. Futuramente, queremos ter um espaço para atendimento psicológico, nutrição e de formação — relata Rodrigo.

A realização das ações da Florir depende de doações de pessoas físicas ou jurídicas. A ONG, no entanto, não busca apenas contribuições em dinheiro, mas também de serviços. 

— Florir é o nome que representa uma luta árdua, mas que trará belos resultados a uma população que hoje é esquecida e marginalizada — acredita.

Teste

De acordo com a Prefeitura, em Divinópolis, hoje, 1.896 pessoas com HIV são atendidas na Policlínica. Destas, 561 moram na cidade.

— Os testes rápidos para diagnóstico de HIV são disponibilizados no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) na Policlínica, na avenida Getúlio Vargas, 550, Centro, de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e tarde. Para realizá-los, basta comparecer ao CTA portando documento com foto. Os testes são gratuitos e o resultado sai em 20 minutos. Eles também são realizados nos postos de saúde, com datas e horários variados, de acordo com a demanda de cada unidade — informou a Prefeitura.

 HIV

 Viver com o HIV é diferente de ter Aids, mas muita gente ainda se confunde com os dois termos.

— Ao contrário de outros vírus, o corpo humano não consegue se livrar do HIV. Quem o contrai, viverá com ele para sempre. A infecção não tem cura, mas tem tratamento e pode evitar que a pessoa chegue ao estágio mais avançado de presença do vírus no organismo, desenvolvendo, assim, a Aids — informa o Unaids, programa das ONU que tem a função de criar soluções e ajudar nações no combate à Aids.

O HIV somente pode ser transmitido, segundo o Ministério da Saúde (MS), da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, o parto e a amamentação, ou pelo uso de seringa por mais de uma pessoa, de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados, sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha, e pela transfusão de sangue contaminado.

Assim que recebeu o diagnóstico, Rodrigo marcou sua primeira consulta com um médico. Hoje, sua carga viral é indetectável. Ele toma um comprimido por noite. A medicação é disponibilizada gratuitamente pelo SUS e o tratamento dura a vida toda.

— Existe vida após o diagnóstico. Quem tem HIV, não deve se sentir menor que os outros. Vamos viver, sorrir, cantar, dançar e até chorar, quando necessário. Aos que não têm, se cuidem, pesquisem sobre o tema. Destruam seu preconceito com conhecimento e façam exames regularmente —aconselha.

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