O voto tem peso

Editorial 

Faz pouco mais de 30 anos que o brasileiro recebeu de volta o seu direito ao voto, de escolher os seus representantes. São mais de três décadas, mas o brasileiro ainda não entendeu o valor desta sua prática democrática e fica aí girando em círculos a cada pleito. Seja vendendo seu voto por uma cesta básica, um saco de cimento, alguns tijolos, ou ainda paralisado na frustrantes busca de um herói. Para conquistar este eleitorado, que se “vende” por tão pouco, os candidatos não precisam fazer muito. Basta falar o que ele quer ouvir, postar alguns vídeos nas redes sociais, fazer barulho nas ruas da cidade, vir com o discurso de “eu a pessoa certa, gente como você, precisamos renovar” e pronto: está tudo resolvido! 

Ainda incapaz de estudar as suas possibilidades de escolhas e movido pela paixão, o eleitor perde a cada dois anos as oportunidades de realmente fazer diferente. Nos últimos anos, Divinópolis foi tomada por uma onda de revolta do eleitor, que simplesmente só levou a cidade para o buraco. Os slogans “Continua candidato x”, em 2012, e “Volta candidato y”, em 2016, mostraram que nem sempre vence o melhor. Para constatar isso, basta andar pelas ruas da cidade. Ruas esburacadas, obras gigantescas inacabadas, Unidades Especiais de Atendimento (UEAs) fechadas, Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) pela metade, mesmo com o povo pagando taxa, e diversas outras situações que só mostram que Divinópolis foi vítima de sucessivas administrações ruins. 

Mas aí vem a pergunta: a culpa disso é de quem? Dos políticos que almejavam apenas suas próprias conquistas, e não o “trabalhar pelo povo e para o povo”? Ou do eleitor que se deixou levar pelo primeiro discurso que gostou e não usou a racionalidade em vez da paixão na hora de escolher seus representantes? É uma pergunta bem difícil. E, ao que tudo indica, 2020 não vai ser muito diferente de 2012 e 2016, não. A não ser que haja uma reviravolta gigantesca na reta final, a exemplo do que ocorreu com o então candidato a governador de Minas, Romeu Zema (Novo). Caso não ocorra a mesma façanha, os eleitores continuam a caminhar em círculos, ainda incapazes de compreender o que precisam fazer nas urnas, a importância de fazer escolhas racionais, e de não se deixar levar por este jogo em que a única coisa que importa é o poder. 

De “Continua candidato X” a “Volta Candidato Y”, e, agora, “ou escolhe a gente ou vai ficar do mesmo jeito”, quem sai perdendo nisso tudo são os próprios eleitores. Quem está pagando taxa de tratamento de esgoto sem tê-lo? Quem precisa utilizar transporte público precário? Quem tem que dar manutenção constante nos carros devido às condições das ruas da cidade? Quem precisa madrugar para conseguir atendimento no posto de saúde? Quem vê o dinheiro público ir para o ralo sem poder fazer nada? A resposta é simples: você, eleitor. É triste, mas é real! Os mesmos que fazem escolhas precipitadas são os mesmos que pagam a conta, e ela é bem salgada. Enquanto o eleitor não entender o valor do seu voto, ele travará lutas desnecessárias e pagará contas que não são suas. E, talvez precise de mais 30 anos para entender isso. E nunca é demais lembrar: “o voto não tem preço, tem consequência”.

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