O “véio fora”

Preto no Branco 

Por essa poucos esperavam. Galileu Machado (MDB) provavelmente não disputará a reeleição. A informação que a coluna traz com exclusividade vem de fontes seguras, e, por enquanto, é mantida “debaixo de sete chaves”, lógico, estratégica política. O “véio”, como é conhecido, a princípio, não abria mão da disputa, mas aos poucos vem sendo convencido por pessoas próximas e até familiares de que está na hora de encerrar seu ciclo na política.  E quer saber? Estão certíssimos. Galileu, na casa dos seus 87 anos, já deu sua contribuição até além do que pôde por Divinópolis.

Vai arriscar 

Encerrando seu ciclo no fim deste mandato, Galileu, sem dúvida, sairá por cima. Pode ter tido e ainda cometer falhas, como todo político. Mas não tem aquele que participou ou conheceu suas gestões anteriores que não apontam obras importantes por ele realizadas, e que mais do que ninguém ama Divinópolis, sua terra natal. Não teve sorte nesta atual gestão por vários fatores: sacanagem do Estado, em relação aos repasses ao Município, parceria com o Legislativo que deixa a desejar e, principalmente, pela escolha de alguns nomes de frente na Prefeitura. Dá para consertar? Infelizmente, não. Tarde demais. 

O óbvio 

Não enxergou. No entanto, não foi ou é falha somente do prefeito Galileu. Para se ter uma boa administração, não é segredo para ele nem para nenhum outro gestor a necessidade de uma equipe qualificada e que atue unida em prol de um trabalho diferenciado que refletirá diretamente na população, que é quem arca com tudo. Porém as tais das indicações acabam com as administrações públicas no Brasil. "Fulano será secretário não porque é qualificado para o cargo, mas porque é filho do meu amigo", "ciclano deixa a desejar no conhecimento para gerir a pasta, no entanto, é indicado do vereador tal que me apoia na Câmara". Nos moldes politiqueiros do país, se o prefeito, o governador e o presidente não fizerem isso, estão ferrados! Não conseguem administrar e, se bobear, até perdem o mandado. Entretanto, até quando vale a pena? Galileu é um que vem pagando caro pelas escolhas.

 

Passam por cima 

Apesar de não concordar, não vou aqui questionar opções por filhos, namoradas, afilhados etc. “Deu pano para manga” já e, desde o início do mandato, serviu para uma enxovalhada de críticas de todos os lados. É discutível, sim, e gera desconfiança. Sem contar que alguns secretários acham que mandam mais do que o prefeito. O pior é que, na Prefeitura, pelo menos dois não somente acham, como têm certeza. Chegar ao ponto de vazar informação, sem ao menos o prefeito ter conhecimento, para atender interesses próprios, é o “fim da picada”. A informação de que a Prefeitura iria suspender o ISSQN durante a pandemia, divulgada no dia 16 abril, antes que Galileu tivesse autorizado, é um dos exemplos. E olha que esse é apenas um. Sabe se lá quantos mais segredos estão em xeque. 

Falta pulso 

No entanto, não é só isso. Situação como esta, citada na nota anterior, em uma administração organizada e em que não houvesse jogo de interesses, uma providência drástica teria sido tomada. E não é por falta de conhecimento dos motivos. Até o mais desatento do primeiro escalão deve saber. Falta mesmo é atitude e pulso firme para banir este tipo de atitude e comportamento. Por isso, ratifico que é tarde para Galileu tentar mudar esta realidade, sendo a desistência à reeleição, para o bem do seu nome, a melhor escolha. Ah, mas que a pessoa a qual ele apoiar, caso saia vencedora, que promova uma revolução nas escolhas dos cargos de confiança, ou não passará das situações esdrúxulas vistas nos últimos anos. Tem escolhas erradas capazes de comprometer toda uma história de vida, e isso é evitável, basta querer. 

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