O tempo passa, mas as coisas continuam

Amnysinho Rachid

 

O tempo passa, mas as

 coisas continuam 

   

Agora, depois de um grande período de trancafiados, entramos na onda amarela, podendo, desta maneira, começar a encontrar com a turma ‒ isso com todos os cuidados e precauções exigidos pelas normas governamentais para evitar esta peste da covid-19.

Desta maneira, meu Nasser me perguntou se poderia receber uma turminha de amigos neste sábado aqui em casa e concordei, procurando proteger a todos.

A festa rolou tranquila, moçada bonita e de bem com a vida.

Vendo a alegria deles, lembrei muito do nosso tempo de mocidade. Era só os pais viajarem para as festas acontecerem.

O mais interessante é que viravam grandes encontros, cada um levava sua bebida, uns petiscos, e a festa estava pronta.

Lembro muito de uma festa na casa do Gilberto, meu primo, que, em certa hora, teve até teatro no quarto da minha tia, que se chama Alice. Como na época rolava uma novela que tinha uma louca de nome Alice Starling, um amigo incorporou o papel dela, com direito a plumas e paetês, nos matando de tanto rir.

Na época, a coisa era muito tranquila. Lembro de uma festa em minha casa em que encontrei com uma turminha no segundo andar, dentro de um quarto. Ao entrar, me perguntaram quem eu era. Pensa que, ao me apresentar, saíram? Que nada! Elogiaram o quarto e continuaram ali, aninhados. 

O que não faltava era criatividade: lembro de festas até em casas vazias, que não sei como faziam para conseguir as chaves, mas a coisa rolava com direito até a camarote vip, se é que me entendem.

Aqui em casa, a coisa rolou de boa, mesmo acontecendo aquelas coisas prováveis ‒ quebra de copos e muita sujeira no chão. Uma coisa foi notada: essa turma nova não liga para isso ‒ continuam no meio da sujeira sem ligarem.

Mas, como toda festa, existem as pérolas que não podemos deixar passar batidas. Nós, como os pais do dono da festa, ficamos no segundo andar para deixar a turma mais à vontade, só ouvindo a confusão. Em certa hora, descíamos para ver e ser vistos ‒ se é que me entendem. Numa descida, minha Cleide, ao entrar na sala, encontrou com um casal que lhe perguntou quem era ela. Ao se apresentar, foram superamáveis.

Cansados de esperar a festa acabar, resolvemos deitar. E não é que em certo momento quase morremos de susto? Entram no nosso quarto umas meninas ‒ uma parou do lado da nossa cama, no escuro, com as mãos na cintura e foi logo dizendo: “E aí, o que vocês estão fazendo?”. Sentei na cama e fui falando: “Acho que vocês erraram o quarto”. Minha Cleide foi levantando e elas saíram correndo, quase morrendo de vergonha.

E assim continuamos preservando a felicidade. No Hall Negócios Imobiliários, rua Paraíba, 913, Centro.

rachidmendes@hotmail.com          

Comentários
×