O show

Editorial

Neste fim de semana, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (PSC), e o presidente da Câmara, Eduardo Print Júnior (PSDB), protagonizaram uma cena que poderíamos definir como, no mínimo, lamentável. Em – mais um – vídeo que circula nas redes sociais, os ditos “representantes do povo” tiram sarro de uma gravação (!) feita pelo vereador Rodrigo Kaboja (PSD), que também circulou nas redes sociais na semana passada, na qual o parlamentar afirmava que traria o mar para Minas e faria uma “Kabojolândia”. Ao que tudo indica, no vídeo feito pelo prefeito e pelo presidente da Câmara, ambos estavam em uma viagem rumo a Caldas Novas, em Goiás. Na gravação, Print Júnior questiona se as crianças queriam ir para alguns destinos, ao que elas gritam que não. Quando ele questiona se elas gostariam de ir para a “Kabojolandia”, elas gritam que sim. O prefeito e o presidente da Câmara finalizam o vídeo pulando em frente às câmeras. 

O grande questionamento é: por quê? Por que os ditos “representantes do povo” decidiram adotar tal comportamento? Por que eles agem como se não tivessem minimamente uma postura a ser adotada diante o cargo ao qual foram eleitos? Por quê? A que ponto a sociedade se perdeu e elegeu esse tipo de político? Se a questão aqui fosse apenas o vídeo, com veia humorística, talvez nem valeria escrever sobre isso. Mas a cidade não está lá essas coisas para que os ditos “representantes do povo” se deem ao luxo de, em suas férias, gravarem vídeos debochando de determinadas situações. Há mais problemas do que soluções apontadas. Não há propostas concretas de melhorias para a cidade. Existe apenas algo que poderíamos chamar de deboche (?). Se Divinópolis estivesse nos trilhos do desenvolvimento, sem sombra de dúvidas, esse seria apenas um vídeo para descontrair, mas, infelizmente, a nossa realidade não permite isso. 

A sensação que se tem é que os nossos políticos brincam de representar. Brincam de legislar, brincam de chefes do Executivo e, enquanto isso, o povo luta para sobreviver ao caos instalado. O povo luta para ter comida na mesa, para ter direito ao básico. Já cansamos de dizer que show, vídeo, pedidos de curtidas e compartilhamentos não enchem barriga de ninguém, não trazem desenvolvimento, não trazem melhorias, não trazem infraestrutura. Esse comportamento só nos faz perguntar: o que sobrará da cidade em 2024? Afinal, baseado no comportamento dos políticos locais, podemos afirmar que não sobrará muita coisa. Pois o que se tem neste momento é muita fala para pouca ação. Muito show para pouco progresso. Muito grito para pouca solução. 

É como diz o ditado: somos brasileiros e não desistimos nunca. Seguimos cheios de esperanças que, talvez, neste percurso até 2024, algo mude, um milagre aconteça. Seguimos esperançosos que, um dia, Divinópolis encontre representantes à sua altura, que não se limitem às redes sociais e trabalhem de verdade em prol do seu povo. Pois uma coisa é fato: dancinha enche só conteúdo de rede social, mais nada!

 

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