O que não te contam

Editorial 

Muitas pessoas se enganam ao pelo menos imaginar que a política é tudo aquilo que está nas redes sociais e na mídia brasileira. Isso tem um nome: ilusão. A política mesmo, de verdade, é feita nos bastidores. Em Divinópolis, por exemplo, basta andar nos corredores da Câmara e da Prefeitura para saber o que está acontecendo, o que vai acontecer e os pormenores que ocorrem pela cidade. A maioria não sabe que os políticos mostram e falam apenas aquilo que o eleitor gostaria de ver e ouvir, somente  com um intuito: se manter – ou chegar – no poder. 

Muita gente não sabe, mas, no Poder Legislativo de Divinópolis, alguns vereadores “quebravam o pau” em frente às câmeras, gritavam, falavam palavras bonitas, faziam discursos dignos de prêmios, porém, assim que era dito o “corta”, não passavam do “mais do mesmo”. E os divinopolitanos não imaginam porque isso ninguém conta. Nenhum deles quer contar que nas redes sociais, na imprensa, que se trata apenas personagens montados, com falas decoradas, que têm apenas o intuito de corresponder à expectativa da população, que, infelizmente, acredita de forma cega.

De 2016 para cá, o discurso do “novo”, da “renovação” tomou conta do Brasil. Vários políticos só conseguiram ser eleitos porque adotaram essa fala e se autonomearam “contra o sistema”, mesmo fazendo parte dele. Uma parte deste discurso saiu da fala e foi a prática. No entanto, nunca contaram para a população, mas aquela parte do discurso “no meu governo servidor comissionado entrará pela porta da frente”; “nós vamos fazer processo seletivo”; “a escolha será técnica”; “não vamos fazer indicações diretas para os cargos”, que, em partes saiu do papel e foi para a vida real, pode não passar de mais do mesmo. E, se existe uma certeza nesta vida, além da morte, é que os bastidores da política valem ouro, muitos reais, pois é ali que estão as verdades que ninguém quer que venham à tona. 

Em Divinópolis, a galera da “nova” política, da “renovação” deve fazer nos próximos dias a escolha de profissionais para determinados cargos. E, como constam as primeiras informações, serão escolhidos embasados na capacitação, porém, alguns fatos e conversas de bastidores indicam que a situação não é tão linda e simples como pregam por aí. Os bastidores mostram justamente o contrário do que os eleitos divulgam por aí. Segundo fontes próximas ao Executivo e ao Legislativo da cidade, tudo já está “arrumado”. Quem vai assumir qual cargo, qual secretaria, qual função, tanto na Prefeitura quanto nos gabinetes da Câmara. E, com isso, mais uma vez o eleitor de Divinópolis é feito de palhaço. 

É triste, mas é real. Não que a chamada “velha política” seja a melhor para a cidade, mas a verdade é que adotar este tipo de postura é tão sujo quanto a “velha política”, pois ela dá a sensação que tudo está mudando, quando, na verdade, está no mesmo lugar, igual ou pior. Entre processos seletivos e a busca pelo diferente “fantasiosa”, tendo em vista a realidade de como serão feitas tais nomeações, só fica a certeza de que o Brasil está longe, mas muito longe de sair do lugar. Afinal, o novo nada mais é do que o “mais do mesmo”. 

 

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