O que deu errado?

O que deu errado?

Inaugurada em março de 2014, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto era a promessa da solução dos problemas no atendimento de urgência e emergência. Mas o sonho se tornou um pesadelo para o povo divinopolitano e da região. Superlotação, condições de trabalho insalubres, greves, risco de fechamento, denúncia de irregularidades são apenas alguns fatos que envolvem a unidade desde o início de suas atividades. Quem acompanhou o processo de fechamento do Pronto- Socorro Regional e a transição para a nova unidade de saúde se lembra muito bem que, no papel, a proposta era de que uma pessoa, ao procurar a UPA, em uma situação de urgência e emergência, ficaria no local por apenas seis horas e logo após seria transferida para um hospital. 

Para um modelo adequado de atendimento, é o ideal, porém, na prática, não foi bem assim. Pacientes aguardando no corredor, denúncias da população, infelizmente esta é a real situação do espaço ‒  porta de entrada ‒ promessa de rapidez, digna e humana para a população.  Como virou rotina, mais um fato envolvendo a UPA foi confirmado nas últimas semanas. A Prefeitura anunciou o cancelamento do contrato com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), atual gestor da unidade. A verdade é que a situação traz, sim, novamente muita insegurança à população que precisa do serviço público de saúde. Além das denúncias que envolvem os atendimentos feitos na unidade, esse “troca- troca” de gestão chega a um questionamento: o que deu errado?

É fato que o antigo Pronto-Socorro fazia muito mais o papel de hospital do que de pronto atendimento, é fato que o Município não sustentaria aquela situação por muito tempo e que era mais do que urgente e necessário uma reformulação na rede de urgência e emergência de Divinópolis, mas é fato também que algo deu errado neste processo. Outro fato que se pode listar aqui é que a unidade não consegue absorver a demanda de Divinópolis, e precisa muito mais do que uma boa gestão. É necessário um plano B, que traga tranquilidade e sossego para o divinopolitano. O Hospital Regional se encaixa perfeitamente, mas está difícil terminar a obra. Mais perto do que longe, é claro, mas é preciso acelerar  o processo.

Hoje, sem dúvida, o que assombra muita gente que não tem plano de saúde é o medo de precisar de atendimento. E, assim, sete anos depois de sua inauguração, e de estar provado por “A+B” que a UPA não funciona com o propósito que foi criada, o povo precisa e merece muito mais do que isso. Mas, como muitos dizem, se os representantes do povo dependessem do Sistema Único de Saúde (SUS), aí, sim, a situação seria diferente. Aí, sim, talvez, a população poderia ter acesso a um atendimento digno.

E, se chegamos até aqui nos questionando o que deu errado, fica outra pergunta: por que insistir? Fala-se muito em CPI, em investigação, em mudança de gestão, mas não há nenhum plano B. Ah, tem, sim, o hospital, só não se sabe quando ainda ele entra em ação.

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