O preço do voto

Candidatos que arrecadaram mais recursos não obtiveram votos a altura

Matheus Augusto 

Materiais de divulgação, assessores, promoção de publicações em redes sociais… Os gastos de campanha podem ser muitos, mas não garantem a vitória na eleição. Em Divinópolis, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que quem gastou muito não necessariamente se deu melhor do que chapas com menores investimentos. Quando calculada a média de gasto por voto, a vitória do Executivo, neste ano, foi para o menor gasto por apoio – prova de que o dinheiro compra quase tudo. Quase.

Os dados públicos estão disponíveis no site https://divulgacandcontas.tse.jus.br/

Lista

O prefeito eleito, Gleidson Azevedo (PSC), gastou R$ 57.317,57 e recebeu 38.566 votos. Ele registra o gasto médio por voto de R$ 1,5 – o menor entre os nove candidatos. A página do TSE apontou que ele arrecadou apenas R$ 35.084,00 – o menor valor entre os nove.

O segundo colocado, Fabiano Tolentino (CDN), gastou R$ 380.457,15 (1ª) e recebeu 29.391 votos – uma média de R$ 13 por voto. Sua campanha arrecadou R$ 392.046,84 (1ª) – o maior valor entre os candidatos.

Laiz Soares (Solidariedade) foi a terceira mais votada (21.514) na eleição deste ano para a Prefeitura. Ela gastou R$ 108,003,50 – a quinta campanha mais cara. A média de gasto por voto foi a segunda menor, atrás apenas de Gleidson, com média de R$ 5 por voto.

O atual prefeito, Galileu Machado (MDB), falhou na tentativa de se reeleger. Apesar de não liderar a disputa pelo cargo, ele está no topo da tabela com a campanha mais barata: R$ 44.925. Com uma arrecadação de R$ 76.560,00, o ainda chefe do Executivo teve 4.674 votos e a terceira menor média de gastos por voto: R$ 10.

A terceira campanha mais cara foi de Marquinho Clementino (Republicanos). Ele, que disputou o pleito em 2016, arrecadou R$ 111.176,97 e recebeu 5.913 votos. Clementino apresenta a terceira maior média de gasto por voto, com custo de cerca de R$ 34.

A segunda campanha mais barata foi de Will Bueno, um dos nomes confirmados para fazer parte do corpo técnico montando pelo próximo prefeito. Will arrecadou R$ 54.798,48 e gastou R$ 53.475,18. Com o apoio de 3.235 divinopolitanos, ele teve uma média de gasto por voto de R$ 16 (5ª).

Com uma média de gasto por voto de R$ 36, o ex-vereador Sargento Elton (Patriota) ocupa a terceira posição. Durante a corrida eleitoral, ele arrecadou R$ 216.598,00 e gastou R$ 202.330,72. Sua chapa obteve 5.489 votos.

Professora Maria Helena (PT) conduziu a terceira campanha mais barata, com investimento de R$ 55.569,75. Ela, porém, tinha a quarta maior arrecadação: R$ 466.622,76. Penúltima colocada no pleito, com 2.717 votos, ela gastou cerca de R$ 20 por voto recebido.

A maior média de investimento por voto é da última colocada na eleição municipal, Iris Moreira (PSD): R$ 255 por pessoa. Com R$ 235.412,69 gastos (2º maior investimento), a candidata arrecadou R$ 81.900,00 e recebeu apenas 922 votos.

Gastos por voto

Gleidson Azevedo: R$ 1,5

Laiz Soares: R$ 5

Galileu Machado: R$ 10

Fabiano Tolentino: R$ 13

Will Bueno: R$ 16

Professora Maria Helena: R$ 20

Marquinho Clementino: R$ 34

Sargento Elton: R$ 36

Iris Moreira: R$ 255

Além da transparência

Os valores servem não apenas para dar visibilidade aos “bastidores” da campanha, mas também para garantir a fiscalização dos recursos. Os candidatos têm, por exemplo, até 15 de dezembro para enviar a prestação de contas ao TSE. Os dados serão analisados até 12 de fevereiro do próximo ano pela Justiça Eleitoral, com prioridade para exame e julgamento das chapas eleitas.

Neste ano, um levantamento do Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral (JE) identificou indícios de irregularidades nas prestações de contas de candidatos das Eleições Municipais de 2020 que ultrapassam R$ 60 milhões. O valor representa um aumento significativo em relação aos números totais do relatório anterior, cujas inconsistências somavam R$ 38 milhões.

— Segundo o levantamento, a maior ocorrência é de doações realizadas por pessoas sem emprego formal registrado, cujas inconsistências somam mais de R$ 33 milhões e envolvem 9.068 doadores. Em seguida, aparecem 1.981 doadores com renda incompatível com o valor doado. As doações realizadas por essas pessoas ultrapassam R$ 17 milhões — explica o TSE.

Ainda há registro de beneficiários do Bolsa Família realizando doações e outros cruzamentos de dados que apontam supostas irregularidades.

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