O preço da irresponsabilidade

O preço da irresponsabilidade

 

Muita gente pode achar que não, mas cada ato feito, cada palavra dita tem sua consequência, seja agora ou no futuro, tudo de uma forma ou de outra volta, isso nada mais é do que o velho “plantar para colher”, ou “a lei do retorno”. E, se no dia a dia, para nós, reles mortais isso tem um peso enorme, imagina para os políticos, que têm consigo a responsabilidade de tomar decisões que refletem em um país, um estado, em uma cidade, e que determinam muitas vezes o rumo da vida de uma pessoa. Apesar de tudo ter seu peso e voltar para população de alguma forma, em Divinópolis, eles não parecem estar muito preocupados com isso. Se a legislatura passada foi regada a midiatismo, essa então...! Mais preocupados em preservar as suas imagens e passar para o povo a sensação de que estão trabalhando, de que estão fazendo algo, os vereadores tomam atitudes “regadas” a irresponsabilidade, que, sem sombra de dúvidas, farão o povo pagar por isso de alguma forma. 

A polêmica da vez  diz respeito ao Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD). A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) fez, na última semana, sua prestação de contas à Câmara e apontou possíveis indícios de irregularidades envolvendo procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), no hospital. A equipe de supervisão hospitalar teria detectado 200 casos de divergência de valores cobrados pelo Complexo. Em um dos casos apresentados na prestação de contas, um valor cobrado pelo hospital era de R$ 9.919, porém, após o trabalho da equipe de supervisão, o montante caiu para R$ 4.975. Quando questionado sobre a situação, o secretário municipal de Saúde, Alan Rodrigo, evitou usar o termo “superfaturamento” e definiu a situação como “divergência técnica”. 

Como tudo em Divinópolis é um prato cheio para aqueles que vivem, que se alimentam de curtidas e compartilhamentos, a situação ganhou uma dimensão que levou manifestantes à porta do Legislativo na tarde da última terça-feira, para protestar a favor do Complexo. E, uma coisa é fato, aqui, tanto Executivo quanto Legislativo não vivem sem uma mídia. Depois de todo show e das suspeitas levantadas contra o hospital, a diretoria do Complexo se reuniu com os vereadores para esclarecer as acusações e mostrar tudo, munida de documentos. Ao que tudo indica, a situação pode ser esclarecida com uma reunião. Mas, como estamos falando de Divinópolis, o midiatismo vem em primeiro lugar. Primeiro o palco, depois o entendimento, e por fim as desculpas, junto com o preço da irresponsabilidade. Pois, afinal, os nossos representantes são pagos para trabalhar em prol do povo, ou para fazer show?

O questionamento se dá, pois, se a situação for analisada um pouco mais a fundo, percebe-se que foi detectada pela própria equipe de supervisão hospitalar da Semusa e a Prefeitura pagou o valor apontado pela equipe, e não o do Complexo. Mas, como aqui há a necessidade de se montar um picadeiro e apontar e expor o outro, é mais fácil do que resolver a situação de uma forma séria e responsável. E quem acha que todo este show não terá um preço futuramente, está redondamente enganado. Quem viver, verá!

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