O povo gosta

Todos os dias os brasileiros acompanham atônitos os noticiários que estão repletos de sensacionalismo, trazem somente fatos ruins, e cumprem a sua missão de deixar a passagem pela Terra ainda mais dolorosa e sem esperanças de dias melhores. Uma semana antes do atentado na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na grande São Paulo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou o corte na segurança em mais de 200 escolas do estado. Instituições estas que estão em zona de perigo e já foram alvo de criminosos diversas vezes. As unidades de ensino, que antes contavam com vigilância 24 horas, ficarão “a Deus dará”.

Que o Estado está quebrado não há dúvidas. Que é preciso fazer um choque de gestão, também não. Mas a grande dúvida é: precisa tirar de onde já tem tão pouco? Romeu Zema foi eleito “no susto”, isso é fato. É provável que até ele mesmo tenha se surpreendido com sua eleição, pois estava em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos e derrubou o líder nas pesquisas Antonio Anastasia (PSDB). Empresário, de família rica, o atual governador se atrapalhou no início de sua gestão ao descumprir várias promessas durante a campanha, dentre elas, reduzir o número de cargos comissionados no Executivo Estadual.

Além de gerenciar um estado, Zema tem como missão “mostrar serviço”. Mostrar que é um bom administrador – disso ninguém tem dúvidas, afinal ele é um megaempresário – e marcar pontos em sua carreira política, tirando Minas Gerais da lama. Mas a que preço o Estado será tirado de sua crise? Quem pagará as contas para tirá-lo do vermelho? Quem já não tem quase nada? Quem já é explorado de todas as formas pelos políticos brasileiros? É fato também que, além de o governo do Estado estar cortando serviços essenciais da população, os quais são sua obrigação fornecer, o confisco feito nas prefeituras não deixa de afetar diretamente o cidadão.

Quando uma prefeitura não recebe os repasses do Fundeb e não tem como pagar o professor e este entra de greve, consequentemente, o causador disso é o Executivo Estadual. Quando o Estado deixa de repassar para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) o recurso que lhe é devido e sobrecarrega uma Prefeitura que, sem saída, começa a atrasar os salários dos médicos, os quais logo em seguida iniciam uma paralisação, isso é de responsabilidade do Estado. Quando um governo apresenta um superávit de R$ 4 bilhões com a população vivendo tais situações, e tendo cada dia mais serviços essenciais cortados, isso é falta de responsabilidade.

Muitos pediram o novo, pediram renovação, mas a renovação não foi nada mais do que o “mais do mesmo”. Nada mais é do que o “eu acima de todos”, sangrando a tudo e a todos, para, daqui pouco mais de três anos, mostrar números e iludir os eleitores mais uma vez. E se essa jogada já está “manjada”? Não, não está! O povo gosta de ser iludido, e que os políticos falem o que quer ouvir. Até que isso mude, o Brasil terá os políticos que merece, e viverá de slogan bonito de campanha eleitoral.

 

 

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