O palhaço está nu

CREPÚSCULO DA LEI – ANO III – CLVI

 

O PALHAÇO ESTÁ NU

Ao digitar a frase “Bolsonaro mente” nos sites de busca e pesquisa da internet ‒ como “Google” ‒ a lista de respostas parece não ter fim. 

Um brasileiro já poderia se sentir muito envergonhado ao descobrir que seu “rei” está nu, mas, pior que isso, é um “rei” nu e catalogado como mentiroso. Ora, há algo de angustiante ao se perceber que o avesso da história de Hans Christian Andersen está acontecendo por aqui.

Desde muito tempo já se sabe que o “rei” está nu, mas a mídia que o protege – não por “amor à pátria”, mas por dinheiro – insiste em “gritar”, e gritos são a nova “práxis” da política brasileira, que o rei está “vestido”, ou seja, é um rei completamente pelado, mas vestido de roupagem imaginária pela grande mídia que o serve. Roupagem imaginária e cara, muito cara.

Nesse mal-estar anticivilizatório pelo qual passa o país, uma leitura do “Dicionário das Tristezas Obscuras”, de John Koenig, vai apresentar nomes aos crescentes sentimentos produzidos pelas vestimentas imaginárias que o rei pelado e mentiroso insiste em dizer que usa.

Uma dessas tristezas obscuras é a “Anthrodynia”, que é um estado de exaustão ao perceber o quão horríveis podem ser as pessoas umas com as outras. 

Outra tristeza presente é o “Ellipsism”, por não se saber como essa história, com tantas mentiras, vai terminar.

Pior talvez seja a “Exulansis”, que é a tendência a desistir de debater com algumas pessoas, porque elas são incapazes de dividir racionalmente experiências.

Ainda tem a “Gnossienne”, que ocorre no momento em que se descobre que a pessoa conhecida é, na verdade, uma completa “desconhecida”. E isso pode ocorrer conjuntamente com a “Kenopsia”, que é a atmosfera de desamparo, tal qual um lugar que era repleto de pessoas, mas que agora está abandonado e vazio.

Mas ainda tem a “Liberosis”, que é o desejo de se importar menos com as coisas, e que pode levar à “Mimeomia”, que é a frustração de perceber que, muito facilmente, qualquer um pode ser vítima de um estereótipo.

Sem embargo, existe uma tristeza não que está neste manual, mas nos bolsos. É a tristeza das carências, da pobreza e da fome, constatada em um país afundado na corrupção e na mentira, onde os salva-vidas assistem placidamente, esperando o morto e seu espólio. 

Qual o nome disso? Legião é seu nome, porque são muitos, e roubam mais ainda.

(Aí, no futuro, esclareçam: o combustível já sofreu outro aumento?)

 

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