O pagamento

Desde que o Brasil foi colonizado pelos portugueses, foi enraizado um costume de o povo pagar para que os políticos o representem. De lá para cá, foram incluídos nesta conta paga pela população não só o salário dos políticos, mas também auxílio isso, auxílio aquilo, auxílio aquilo outro, que custam milhões e milhões para os cofres públicos. Desde que o país foi colonizado, a única imagem que consegue defini-lo é a de escravos trabalhando, enquanto são chicoteados pelo capataz. E, por mais que a princesa Isabel tenha abolido a escravidão em 13 de maio de 1888, a escravidão nunca foi tão presente, tão real quanto agora. Continuamos escravos de um sistema que nos açoita noite e dia. Continuamos sendo chicoteados por políticos que, assim como na colonização, até hoje só pensam em si. Continuamos a pagar uma conta que não é nossa, ou melhor, nunca foi.

O Brasil é um dos países que tem os políticos e o Poder Judiciário mais caros do mundo. E se a pergunta for: mas, de onde tiram tanto dinheiro para sustentar isso? A resposta é simples: do povo. Um povo que se mata noite e dia, faça chuva ou faça sol, para se sustentar e, nessa “leva”, sustentar os políticos. Políticos esses que estão focados apenas em se manter no poder custe o que custar. Mesmo que custe retirar direitos trabalhistas e previdenciários de quem os sustentam. Querem apenas o poder e o dinheiro. Nada mais do que isso. No fim, quem paga a conta para mantê-los onde eles querem, somos nós, que estamos escravizados há séculos. Afinal, somos chicoteados pelo desemprego, pelos impostos, pela falta de infraestrutura, pelas filas do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo sucateamento das escolas públicas, todos os dias. Somos chicoteados a todo minuto por um sistema que funciona apenas por um único motivo: poder e dinheiro.

E, se o Brasil é um país quebrado, é um país pobre, de terceiro mundo, como conseguimos sustentar essa política e esse judiciário? Como conseguimos sustentar os aluguéis, os ternos, as viagens, os tratamentos dentários, os ares-condicionados, os lanches, os jatinhos? Como mantemos tudo isso? Como mantemos os altos salários? Talvez a resposta seja: cedendo os nossos direitos todos os dias. Calando-nos diante de atrocidades que são cometidas por aqueles que deveriam nos representar. Pagamos para nos representar, para mantê-los onde eles querem ficar, para perdermos os nossos direitos. Pagamos para não ter infraestrutura, não ter uma saúde pública digna, uma educação digna, e pagamos para que milhões estejam desempregados. Pagamos, e nos mantemos calados. Um silêncio que chega a ser ensurdecedor. Mas, talvez estejamos acostumados a este sistema, ao chicote, à escravidão. Talvez, já tenhamos perdido as forças para lutar, depois de sermos enganados consecutivas vezes. Talvez, já tenhamos perdido as esperanças e a fé neste país.

E, talvez, quando chegamos a este ponto, a única solução seja simplesmente pagar. Pagar uma conta que não é nossa. Pagar um sistema que nos escraviza, e não nos leva a lugar algum.

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