O novo do velho

Os mineiros foram pegos de surpresa na tarde de ontem, 21, com o anúncio de Márcio Lacerda (PSB) da desistência de sua candidatura ao Governo de Minas. Com um discurso de “a velha política conseguiu o que queria”, o ex-prefeito de Belo Horizonte anunciou não só o fim prematuro de sua campanha, mas também a sua saída do partido. Márcio, que já rodava Minas Gerais há dois anos, começou a campanha com o propósito de acabar com a velha política. Porém, o que chamou a atenção foi o fato de o ex-socialista ter se aliado a velhos conhecidos na política, e mesmo assim querer passar a imagem que renovaria o Estado. O primeiro sinal de alerta, foi a aliança feita com o MDB. Como é de conhecimento de muitos, a sigla participa de grandes conchavos e o mais recente deles foi o que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O partido conseguiu emplacar o seu terceiro presidente sem ter sido alguma cabeça de chapa durante as eleições. Apesar de ter se alinhado com um partido bastante conhecido na velha política, Márcio deixou a disputa ao Palácio da Liberdade, e ao que ele chamou de “terceira via para os mineiros” e dá ao tucano Antonio Anastasia (PSDB) uma enorme vantagem.

Como os brasileiros ainda vivem – e de modo latente – esse estilo político “direita e esquerda”, que só faz o país andar em círculos, a verdade é que Minas deve voltar para as mãos novamente dos “velhos”. Ora, quem não se lembra dos salários dos servidores sendo pagos em dia, e no quinto dia útil? Quem não se lembra dos grandes contratos, das grandes obras, como Cidade Administrativa, hospitais públicos, concessão da MG-050, entre muitas outras que foram feitas nos governos Aécio Neves e Anastasia? Tudo o que parecia lindo, e colocava Minas nos trilhos do desenvolvimento foi tomado pelo PT. Foi acabado por Fernando Pimentel. Mas, dizem por aí, que Anastasia quebrou o Estado – com suas obras astronômicas e outras coisas mais – e Pimentel não deu conta de consertar. E nesse jogo de sinuca os mineiros se encontram naquela situação: “se correr o bicho pega”, se ficar o bicho come. Acreditar no velho que se diz novo? Dar mais uma chance para quem provou que não dá conta de administrar um Estado? Voltar para aquele velho caminho que deixou Minas em ruínas?

As escolhas não são das melhores. Porém, basta abrir um pouco os olhos para enxergar o resultado das urnas no dia 7 de outubro. Quem viver verá. E contará essa história para os seus filhos, netos e bisnetos. A história de um país, um Estado dividido entre direita e esquerda, e que nunca andou para frente. Andou somente em círculos. A desistência de Lacerda, não é um exemplo de como um político pode ser prejudicado por outros. É o exemplo de que a briga é, sempre foi e sempre será pelo poder. O povo está em último lugar. Para o povo só resta a escolha: ser comido pelo lobo, ou ser comido pelo leão. Ou ainda, se matar em discursos de ódio, por direita ou esquerda, que não leva ninguém a lugar nenhum.

 

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