O Niterói em festas

Setembro é o mês da independência, da primavera e dos ipês em flor. Mas é também o mês dos ‘jubileus do Bom Jesus’. São uma forma popular, bastante emocional, de comemorar a festa litúrgica e teológica da “invenção da Santa Cruz”, aos 14 de setembro. Os mais famosos celebram-se em Congonhas do Campo, em Bom Jesus da Lapa e em Salvador, na Igreja do Senhor do Bonfim. Reúnem multidões.

Mas há vários jubileus menores, próximos de nós, para atender à devoção emotiva e teatral do nosso povo: em Itapecerica e Pedra do Indaiá; no povoado de Boa Vista, do município de Itaúna; em Bocaina, na cidade de Cláudio; no distrito de Angicos, em Cajuru. Haverá certamente outros, Brasil afora.

Pois até aqui, em Divinópolis, temos o Jubileu do Senhor Bom Jesus, do bairro de Niterói, que completou agora 75 anos de celebração ininterrupta. Fez por merecer um luxuoso programa, ricamente impresso a cores, em papel nobre, com belas ilustrações. O primeiro foi celebrado no ano de 1944. A ditadura de Vargas e a 2ª Guerra Mundial caminhavam para o desfecho; e Divinópolis era uma pacata cidadezinha.

O bairro Niterói é um dos mais históricos e tradicionais de Divinópolis e se desdobrou em vários outros, ao longo do rio Itapecerica. Lendário, dele contam-se histórias que têm alguma coisa de verdade. Já teve até jornal próprio e deu a Divinópolis um dos seus expoentes políticos, o ex-vereador, deputado e secretário de Estado Geraldo da Costa Pereira. Outra liderança que ali se destacava, nos anos 60, era a enérgica e respeitada matrona D. Corália Valinhas.

A Capela do Bom Jesus do Niterói ficava quase de frente para a Matriz do Divino Espírito Santo e São Francisco de Paula, na época bem visível na outra margem do rio, no alto do morro, da qual era apenas uma comunidade filial. Uma década depois, em 54, tornou-se sede de nova paróquia, a qual comemora, portanto, 65 anos da sua criação.

É a quarta criada em Divinópolis e a última na cidade, ao tempo em que esta ainda pertencia à Arquidiocese de Belo Horizonte. Pois a quinta paróquia só seria criada em 59, por Dom Cristiano Pena, no Porto Velho, sob o patrocínio de Nossa Senhora de Fátima. Mas então já estávamos na recém-instalada Diocese de Divinópolis. 

O pároco, padre Cristiano Álisson, é um jovem encantador. Adornado com ricos paramentos, realiza festas esplendorosas e belas cerimônias, com muito incenso, velas, flores e pomposas procissões. Como nos bons e saudosos tempos! A ilustre paróquia e o bairro bem merecem.

 

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