O mesmo caminho

Está declarada aberta a temporada do “beija pobre, abraça pobre”. As eleições 2020 chegaram e os candidatos disputam o cargo de mais trabalhador e, consequentemente, de mais hipócrita. Eles surgem dos “bueiros”, se revoltam até mesmo com o que não têm motivo para se revoltar e trabalham arduamente para criar situações que simplesmente não existem. Com isso, criam o que já citamos: um desserviço para a sociedade. Junto a essa mistura de bueiros, beija pobre e abraça pobre, trabalhadores e hipocrisia, estão as redes sociais: o meio mais utilizado pelos candidatos e, claro, de maior alcance, ou melhor, o veículo mais usado para causar o maior dano possível à coletividade pelos candidatos que não o usam com responsabilidade. E como dois e dois são quatro, esta junção causa danos, que muitas vezes são irreversíveis, pois a comunicação não é clara e os interesses defendidos são os próprios, e não os da coletividade.

Tudo isso é mais do que familiar para o povo brasileiro, em particular para Divinópolis. Pois essa foi a junção utilizada por alguns candidatos nas eleições de 2016. O resultado causou um dano irreparável à cidade. Apesar de Divinópolis ter apenas “caminhado em círculos” nos últimos anos, parece que o povo ainda não aprendeu a importância de uma campanha justa, honesta, de a comunicação ser clara e de os interesses da coletividade serem defendidos. Aparentemente estamos indo mais uma vez pelo mesmo caminho, em que o pobre, no fim das contas, gosta mesmo de ser enganado, de ser beijado e de ser abraçado por quem só lembra-se dele a cada quatro anos. Parece mesmo é que o pobre, o “carro-chefe” das eleições, não está nem um pouco preocupado em se informar, ele quer mesmo que os candidatos falem apenas aquilo que ele quer ouvir.

Continuamos caminhando em círculos, e, se até outubro a situação não mudar, continuaremos a fazer escolhas no mínimo questionáveis e a cidade continuará no caos por mais quatro anos. Quem se lembra da promessa de Galileu Machado (MDB), durante sua campanha em 2016, de abrir mais três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Divinópolis e de voltar o atendimento no Pronto Socorro, devido à sua localização? Este foi o maior trunfo nas mãos do então candidato. Os eleitores não se preocuparam sequer em procurar saber se Divinópolis tinha mesmo porte para ter quatro UPAs, apenas fecharam os olhos e se entregaram a esta promessa, que não tinha possibilidade alguma de se tornar realidade, pois a cidade não tem população para isso. Quase quatro anos depois, mais uma vez é dada a largada, e mais uma vez o pobre que é agarrado, beijado e lembrado a cada dois anos cai na mesma lorota.

Com isso, as esperanças de mudança se vão mais uma vez, pois de nada adianta querermos evoluir se temos as mesmas atitudes dos nossos pais, avós, bisavós. Mas, principalmente, se não damos valor à comunicação de forma clara e justa, como deve ser feito. Até que isso aconteça, caminharemos sempre para o mesmo lugar, sendo beijados, abraçados e enganados pelas mesmas pessoas.

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