O jogo

Os vereadores que compõem a Comissão Processante votaram a favor do prosseguimento da investigação que poderá resultar no impeachment do prefeito Galileu Machado (MDB). A aceitação pegou muita gente de surpresa, afinal, era só olhar a composição da comissão (maioria base do prefeito). Em um primeiro instante, o que vem à cabeça é: os vereadores da base traíram o Galileu. Mas, basta analisar friamente, que tudo isso faz parte do jogo chamado: política. Do jogo no qual cada peça é movida minuciosamente, como em uma partida de xadrez, para que os mais interessados ganhem. Se olharmos para o rito que a denúncia seguiria, se a Comissão pedisse o arquivamento do processo, a matéria voltaria a ser analisada em plenário. O processo prosseguiria caso tivesse a aprovação de maioria simples dos vereadores, ou seja, metade dos presentes mais um. Já se a Comissão Processante pedisse o prosseguimento, o que aconteceu, começaria então a fase instrutória do processo: investigações, depoimento de testemunhas, depoimento do prefeito, entre outros. O prefeito tem direito a acompanhar todos os atos e diligências. 

Muito inteligente esta jogada. Ao aceitar o prosseguimento da investigação, a comissão tirou, do restante dos vereadores, a chance de fazer palanque eleitoral em cima do tema. Caso pedissem o arquivamento da denúncia, seria dada a chance de alguns parlamentares irem para as redes sociais e questionarem a conduta da Comissão Processante, formada pelos vereadores Eduardo Print Júnior (SD), Renato Ferreira (PSDB) e Roger Viegas (Pros). Estava nítido e notório que Roger Viegas votaria a favor do prosseguimento da investigação. Até mesmo durante a instauração da comissão, o parlamentar não escondeu o seu descontentamento em “não ter um papel de destaque na comissão” e fez o bebê chorão. O parlamentar foi para a tribuna e fez um discurso digno de um adolescente de 13 anos, que a mãe não deixa sair de casa. A grande surpresa da votação foram os vereadores Print Júnior e Renato Ferreira, que são da base do prefeito.

Os parlamentares fizeram aquele discurso de que isso não interferiria na conduta da comissão, mas só quem acredita em Papai Noel confiou nisso. Porém, é de se tirar o chapéu para a estratégia dos vereadores. Ao optarem por dar prosseguimento à investigação, Eduardo e Renato tiraram dos parlamentares, que amam um show, um teatro, o poder de lhes tacarem pedra e saírem como heróis da história. A estratégia foi bem pensada. Com isso, eles “matam dois coelhos em uma cajadada só”. Não dão poder aos colegas que amam palanque eleitoral, e se mantêm em dia com o seu eleitorado. E também continuam em destaque, determinando qual peça deve ser mexida e quando ela deve ser mexida. E, se analisarmos friamente, como deve ser feito, e não tomados de paixão, a política é um jogo muito interessante. Neste jogo, a última peça colocada é o povo. É cada um cuidando de si, da sua cabeça e do seu eleitorado.

No fim de tudo, o povo é apenas um degrau que os políticos precisam para alcançar o desejado poder. Neste ponto não há muito o que falar. Bobos somos nós, que nos deixamos levar pela paixão e não entramos no jogo como deve ser feito.

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