O FBI falhou feio

Ricardo Welbert

Em uma atitude bastante incomum, o FBI (que é a polícia federal americana), reconheceu publicamente que falhou ao não dar sequer um pingo de atenção a uma denúncia que recebeu sobre Nikolas Cruz, o jovem de 19 anos que matou 17 pessoas na quarta-feira em uma escola na Flórida.

O alerta recebido pelo FBI em janeiro foi feito por uma pessoa próxima ao atirador, que disse que ele vinha guardando armas e manifestando na internet o desejo de matar pessoas. Ou seja: os Estados Unidos sabiam do potencial terrorista do garoto.

Conforme o próprio FBI, a denúncia recebida não foi transmitida aos agentes em Miami que teriam adotado os "passos apropriados de investigação". O diretor da polícia americana, Christopher Wray, disse que a denúncia deveria ter sido considerada como uma possível ameaça a vidas e se comprometeu a fazer todo o empenho necessário para responder às informações que o público fornece.

Até o procurador-geral americano foi a público reconhecer o erro e pedir desculpas (como se adiantasse) pela navalhada. Disse que ficou claro que o FBI recebeu um alerta, mas não o percebeu. Acrescentou que agora são perceptíveis as "consequências trágicas dessa falha".

A vergonha foi tanta que o próprio presidente Donald Trump visitou os parentes das vítimas e conversou com sobreviventes do massacre.

Nos Estados Unidos, as leis que regem a posse de armas são muito diferentes das daqui. Lá é permitido o acesso generalizado a armas de fogo. Qualquer um pode comprar legalmente um fuzil, como se precisasse se defender de algum tipo de violência urbana usando uma arma de guerra.

Isso é algo que precisa muito ser revisto. Mas, infelizmente, o presidente Donald Trump não tá nem aí pra isso e já deu várias declarações em defesa do direito da população de se armar.

Voltando ao ponto sobre a navalhada do FBI, quando a gente pensa que somente aqui no Brasil as forças de segurança pública ignoram completamente as denúncias e deixam de evitar mortes de inocentes, os Estados Unidos, potência econômica, nos mostra que a coisa não é bem assim. A incompetência é universal.

 

Ricardo Welbert é repórter de política e chargista do Agora

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