O cristão diábolico

 

Domingos Sávio Calixto

Cristão diabólico” é uma figura híbrida que indica o indivíduo que acha que pode fazer qualquer coisa “em nome de Jesus”. 

A figura do cristão diabólico já ganhava notoriedade com relação aos “traficantes evangélicos” atuando no Rio de Janeiro contra a espiritualidade africana, perseguindo cultos de Umbanda e Candomblé. Evidentemente que essa prática criminosa de perseguição aos terreiros indicava a participação de “pastores” evangélicos ligados à milícia carioca e o uso de “igrejas” para “lavagem de dinheiro”.

Ocorre que a ocupação da cadeira presidencial por um mandrião fez potencializar outras modalidades de atuação do cristão diabólico, travestido semanticamente de “cidadão de bem”, aquele que faz questão de carregar uma bíblia em uma das mãos e uma arma na outra. Assim preparados, esses cristãos diabólicos matam no trânsito por qualquer insignificância, exterminam mendigos, agridem violentamente e matam as companheiras, agridem e matam negros em shopping centers, tumultuam as redes sociais com fake news, ameaçam, caluniam, difamam e perseguem qualquer um que tenha um pensamento destoante do seu. A mais recente variação do cristão diabólico é o “furador de fila” da vacina contra o coronavírus.

Nesse sentido ‒ já que é “em nome de Jesus” ‒ vale qualquer contraste, como ser “contra o aborto e em defesa da vida”, mas ao mesmo tempo negar a pandemia e o valor vital das vacinas diante de mais de 217 mil mortes no país.

Ora, no norte do país alguns cristãos diabólicos estão fazendo circular informações nas aldeias indígenas no sentido de que eles – os indígenas – seriam meras “cobaias”, que eles vão morrer em seis meses caso sejam vacinados e, ainda, que vão “virar vampiros”. Claro que isto compromete seriamente a campanha de vacinação nas aldeias

Da mesma forma, um deputado cristão diabólico entrou com uma ação perante a 10ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo para SUSPENDER a produção da vacina Coronavac ‒ efetivada entre o governo do Estado, o Instituto Butantan e o Laboratório Sinovac. O pedido foi negado.

Sob os mesmos aspectos, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) constatou que o governo ‒ chefiado por um cristão diabólico, além de mandrião, notoriamente divulgador de absurdos “tratamentos precoces” com base na tal cloroquina, em constante campanha contra o uso de máscaras e a favor de todas as aglomerações possíveis ‒ criou um projeto de proliferação da pandemia no país, por conta do conjunto de portarias, regulamentos, decretos e medidas provisórias editadas, ou seja, verifica-se um propósito genocida em andamento sistematizado por uma falsa omissão, posto que na realidade o que se deduz é uma articulação em prática devidamente favorável à criação deste quadro de caos, morte e desespero.

Todavia, o caos maior é constatado na divisão nacional imposta com a clara intenção de deixar os brasileiros em constantes conflitos entre si. Tudo isso se potencializa com a atuação das instituições diante do pandemônio: nenhuma eficácia! Exatamente isto: tudo feito para não funcionar, e, como nada está funcionando, é porque tudo está funcionando bem, conforme o planejado.

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