O ‘buraco Divinópolis’

Há exatos cinco anos, o então governador do Estado, Antônio Anastasia (PSDB), autorizava o início do processo licitatório da duplicação da MG-050, do trecho entre Matheus Leme e Divinópolis. O anúncio foi feito em um evento cheio de “pompa”, do jeito que o figurino manda. Como de praxe, o ex-prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo (PSDB), participou do evento e disse que o ato de Antônio Anastasia era histórico. E, de fato, foi. A obra praticamente não saiu do papel e, hoje, cinco anos depois, tem atrasos e mais atrasos em seu histórico, aditamentos, irregularidades e uma auditoria no contrato feito entre o Governo de Minas Gerais e a Nascentes das Gerais, há quase 12 anos.

Como já era de se esperar, a auditoria feita pela Controladoria Geral do Estado de Minas Gerais (CGE) apontou inúmeras irregularidades, dentre elas, os atrasos, que geraram um benefício financeiro de R$ 113 milhões para a concessionária. Sim! Sem sombras de dúvidas, Vladimir Azevedo tinha razão. A autorização do início do processo licitatório foi histórica. Assim como a construção do Hospital Público Regional Divino Espírito Santo. A obra, que prometia ser a revolução da saúde pública no Centro-Oeste mineiro, não foi sequer finalizada e hoje está jogada em meio ao mato, às infiltrações, ao mofo, à chuva, ao tempo. Um verdadeiro “hospital fantasma”. No dia 3 de julho, a obra completará nove anos e, em abril, serão inteirados exatos três anos que a Prefeitura não recebe um centavo para dar continuidade à construção.

E quem não sem lembra do show de inauguração “simbólica” que a Prefeitura de Divinópolis fez em 2012? Questionável, não? Na cidade, “as coisas” parecem que simplesmente não andam, ou não, as autoridades não querem fazer andar. Além da duplicação da MG-050, que está com atrasos em diversos trechos, e do Hospital Público Regional, que sucumbe em meio ao mato e ao abandono, a cidade tem, ainda, a Estação de Tratamento de Esgoto do Rio Itapecerica (ETE Itapecerica). Esta é apenas outra novela que parece não ter fim. Esta grande obra, revolucionária, que deveria ter sido entregue em 2016 e também é marcada por atrasos e aditamentos em seu contrato, está simplesmente parada.

Em agosto de 2017, após uma audiência de conciliação, feita entre a Prefeitura de Divinópolis e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), ficou decidido que a empresa daria continuidade à construção da Estação de Tratamento e que o prazo para a entrega seria no dia 31 de dezembro de 2018. Não! Esta obra também não foi entregue, assim como a duplicação, e o Hospital Público. Como seria bom se a cidade fosse apenas a “cidade do buraco”, como disse o vereador Renato Ferreira (PSDB), em seu discurso na reunião ordinária desta terça-feira, 12. Quem dera se os problemas de Divinópolis fossem apenas os buracos das ruas. Infelizmente, a cidade está fadada a ser a cidade do futuro, e não a cidade do presente. Infelizmente, o destino da princesinha do Oeste é viver “fatos históricos futuros”, e não construir sua história no presente.

Mas, continuem falando dos buracos das ruas da cidade, assim é melhor, mas, a cratera mesmo, é mais embaixo.

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