Números pífios

Preto no Branco 

Que o coronavírus é perigoso e, muitas vezes, letal, o mundo não tem dúvidas. Especialmente por ser um inimigo invisível e as medidas preventivas deixarem a desejar por boa parte da população. Mas não é só isso, muito pior: depende e muito do sistema de saúde oferecido em cada país. Aí chegamos no Brasil, onde o atendimento  pelo SUS e a oferta de leitos, principalmente de CTIs,  é um dos piores do mundo. Não é por acaso que um levantamento revela que em cada três pacientes graves de covid-19 que são entubados nos hospitais brasileiros, apenas um se recupera e consegue voltar para casa. A mortalidade destes doentes, segundo a estatística, é de 66%, um número muito alto quando comparado aos internacionais. O que também não é nenhuma novidade em um país que desde sua descoberta é dominado pela corrupção. 

Precariedade 

O porcentual reflete as precariedades do sistema de saúde do país e que não é de hoje. Além disso, o uso indiscriminado de medicamentos sem benefícios comprovados cientificamente, como a cloroquina, é preocupante. A conclusão é de um levantamento do Projeto UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e do Epimed, uma ferramenta de análise de dados e desempenho hospitalar. A coleta de informações foi feita entre os dias 1º de março e 15 de maio, em 450 hospitais em todo o Brasil, envolvendo 13.600 leitos de terapia intensiva, o que equivale a cerca de um terço das vagas para adultos nessas unidades. E, mesmo assim, desdenham do isolamento social e querem enfiar o medicamento “goela abaixo” sem nenhuma eficácia comprovada. Triste, mas é a nossa realidade. 

Pode ser pior 

Um dado alertado pelos especialistas inseridos no estudo é que os hospitais que participam do levantamento tendem a ser os mais bem organizados, o que pode significar que a situação é muito mais desastrosa, visto que boa parte dos hospitais das regiões Norte e Nordeste, por exemplo, já entraram em colapso. Em se tratando de todo o país, a taxa de ocupação das UTIs revelada por este levantamento já é alta: 88% na rede pública e 74% na rede privada. No entanto, a subnotificação faz os especialistas acreditarem que estes números sejam bem piores. E são. Quanto a isso não há dúvida.

Mordomia solta 

Enquanto isso, na capital dos brasileiros, o salário mensal dos parlamentares é de R$ 33.763. Mas isso é apenas um dos itens. Tem a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), que gira em torno de R$ 30.788,66, dependendo do estado que o parlamentar pertence.  Valor que pode ser usado para despesas como passagens aéreas, telefonia e serviços postais, manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar, compreendendo locação de imóveis, pagamento de taxa de condomínio, IPTU, seguro contra incêndio, energia elétrica, água e esgoto, locação de móveis e equipamentos, hospedagem...  É melhor parar por aqui, porque a lista é gigantesca. Do tamanho ou maior do que a demanda do pobre por uma saúde razoável.

Ah! A saúde 

O assunto em questão da coluna e o mais revoltante. A mesma população que não encontra leitos, sofre humilhação para conseguir atendimento e muitas vezes, morre nas portas das unidades de saúde antes do socorro paga para os deputados terem atendimento no Departamento Médico da Câmara (Demed), reembolso para despesas médico-hospitalares realizadas fora do Demed e plano de saúde dos funcionários da Câmara, pagando apenas R$ 420 por mês, com direito a rede conveniada nacional e a filhos e cônjuge como dependentes.  Lembrando que as informações são da Agência Câmara de Notícias, assim, não há exageros no que você está lendo. Ressalta-se também que nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, nossos representantes não ficam muito distantes desta realidade, que só será pelo menos reduzida no dia em que o próprio povo der um basta. Enquanto permanecer se fingindo de cego, continuará pagando caro e com a vida para sustentar regalias.

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