Números não mentem

As agências reguladoras internacionais que indicam índices de crescimento econômico ou de baixa dos países até que deram crédito ao Brasil, mas recuaram, pois o que parecia ter acontecido eram apenas números mal fornecidos. Na comparação do índice de desemprego em Divinópolis com o do país, nota-se incrível semelhança, pois enquanto aqui em um ano foram criados mais de 600 postos de trabalho, em nível nacional, onde o número de desempregados passa de 13 milhões, o emprego alcançou a casa dos 16.700 vagas, algo em torno de 100 vezes mais. Muito pouco, embora dentro da realidade de estagnação geral.

Hoje, os fornos de ferro-gusa em Divinópolis estão funcionando e, com o dólar em alta, o faturamento paga as contas atrasadas, com muitos empresários já gastando por conta. Foram adquiridos aviões, outros passaram a se deslocar em aeronaves fretadas, compraram apartamentos em Portugal, mas o resto da população paga a conta.

É notório o surgimento de lojas esparsas na cidade e que o fast-food continua em alta. Mas Divinópolis há anos não registra o surgimento de uma casa de porte para clientela mais exigente ou despojada. A última (Beb’s) fechou as portas “porque não podia suportar as exigências do poder público municipal”. Conversa para boi dormir. Outras casas semelhantes também sucumbiram e o sonho do McDonald’s continua apenas nas conversas, sem ninguém se arriscar no investimento, pois, com royalties altos e vendas em baixa, o prejuízo é certo.

Divinópolis, que beira 230 mil habitantes, comporta lojas de maior porte, mas o dinheiro anda escasso. Em Montes Claros, onde a grana também está curta — mas com muito mais indústrias, pois pertence à área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) —, há 330 mil habitantes girando pelos shopping centers e um McDonald’s. Também em Juiz de Fora, a cidade mais carioca de Minas, que já foi a segunda maior do estado, hoje com pouco mais de 500 mil habitantes, ostenta a emblemática loja americana de sanduíches, enquanto Uberlândia, com menos de 600 mil habitantes, sustenta três.

Esta aparente fixação pela McDonald’s serve apenas para mostrar a diferença por onde o dinheiro passa ou é mais escasso. Se hoje parece não se vislumbrar nenhum grande empreendimento para Divinópolis, o mesmo não se pode dizer de Varginha, que, com 130 mil habitantes, tem no centro da cidade uma vistosa loja da mais famosa rede americana de sanduíches. Ou seja, a rota mais promissora para quem quer fazer bons negócios em Minas, passa pela BR 381 com destino ao sul de Minas.

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