Novo líder regional da Fiemg critica carga tributária e aposta em gestão compartilhada

Ricardo Welbert 
Gisele Souto

Liderar os empresários da indústria em 74 cidades do Centro-Oeste mineiro e planejar estratégias que garantam o crescimento e o desenvolvimento ao setor em um cenário econômico desfavorável. Esses são alguns dos desafios do novo vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Paulo César Costa, que tomou posse em 1º de junho. O cargo de vice agora equivale ao antigo posto de presidente.

Dono de uma empresa do setor têxtil com 60 anos de mercado em Formiga, onde preside o sindicato local do segmento, já foi vice de Afonso Gonzaga nos oito primeiro anos à frente da região.

Em entrevista ao Agora, ele ressalta que a área reúne municípios de características industriais específicas. Para uní-las, pretende adotar um sistema de gestão compartilhada.

— Temos oito sindicatos e duas delegacias industriais na região. Teremos muitas reuniões para conversarmos e adotarmos estratégias com foco na melhoria do ambiente de negócios — diz.

Porém, não basta apenas diálogo. O cenário econômico “catastrófico” do Brasil, afirma Paulo, exige luta do setor industrial contra a burocracia.

— Desburocratizar a nossa economia é um grande desafio. Aqui em Divinópolis, por exemplo, foi criado um grupo gestor com as principais entidades da cidade. É um projeto de desenvolvimento fantástico — acrescenta.

A alta carga tributária nacional também está na mira do novo presidente.

— Não tem como continuarmos de braços cruzados quando 40% da nossa riqueza vai para impostos. Precisamos defender uma nova estrutura. Uma nova posição — pontua.

Siderurgia

O Centro-Oeste mineiro já foi considerado como polo siderúrgico. Porém, nos últimos cinco anos várias empresas fecharam e outras reduziram a produção para se adequar à crise econômica.

— Há uma série de fatores que prejudicou muito a nossa siderurgia. Sem dúvida, essa tributação excessiva é uma delas. Também tivemos dificuldades com problemas ambientais. Mas a concorrência desleal na exportação é a nossa maior inimiga. Vender para fora hoje é um milagre. O custo Brasil é muito alto. Com isso, nossos produtos não têm grande valor agregado fora e os de fora têm muito valor aqui dentro. Às vezes, é muito mais barato sair do Japão com um navio de ferro-gusa para cá do que comprar aqui. Não há empresa que sobreviva em um cenário desse — reclama.

Greve dos caminhoneiros

O que já estava ruim piorou com a recente greve nacional dos caminhoneiros.

— Prejudicou demais todo o setor produtivo do país. O mercado do ferro-gusa estava melhorando, mas agora deu uma freada. Não culpo os caminhoneiros, pois foi justo o que eles fizeram, mas o desenrolar da greve prejudicou a indústria. Levaremos mais um tempo para recuperar. É difícil fazer previsões. Isso só será possível após 7 de outubro, quando os cidadãos forem às urnas escolherem o próximo governo.

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