Nove de cada 10 testes de hepatite dão positivos, diz técnica do IST

Rafael Camargos

Dezembro, além de receber várias campanhas, também é o mês de conscientização das doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids. Por isso, nesta semana os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) passaram por uma capacitação profissional. Durante três dias de curso, finalizados na terça-feira, 19, os envolvidos aperfeiçoaram as técnicas de aplicação de Testes Rápidos (TR). O curso foi realizado na sede da secretaria e contou com a participação de enfermeiros, psicólogos, dentistas, técnicos em enfermagem e médicos.

Os casos de HIV em Divinópolis mantiveram este ano os mesmos números de 2016. O Centro de Testagem e Aconselhamento da Secretária Municipal de Saúde (Semusa) confirmou 40 casos da doença. Em todo o ano passado foram 41.  

Se no município,  o índice se manteve não se pode dizer o mesmo da região. No ano passado foram 157 novos casos de Aids. Já este ano foram contabilizados 168 novos diagnósticos, um aumento de 7%.  

De acordo com a técnica em apoio na logística de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Joseane Silva, a capacitação passou por três etapas, teórica, que é fornecida através de cursos online pelo Ministério Público, prática e alinhamento de qualificação de diagnóstico.

— O diagnóstico dos testes rápidos para HIV e a triagem para Hepatite são feitos em até 30 minutos. Aprendemos a prever as infecções sexualmente transmissíveis e a diagnosticar, agora precisamos saber como proceder caso tenhamos diagnósticos positivos — explicou Joseane.

Prioridade

Durante o curso, foi discutido o aumento de ocorrência de infecções e a prioridade dos testes rápidos.

— Em Divinópolis, a cada 10 testes de hepatite, por exemplo, nove são positivos. Em princípio daremos prioridade a populações vulneráveis e gestantes, puérperas e casos especiais, ainda não conseguimos disponibilizar os testes para toda a população dinvinopolitana — afirmou. 

Os testes já estão disponíveis nas unidades de saúde do município.

Arma contra a doença  

A principal arma existente hoje contra a transmissão do vírus HIV no Brasil, considerando que a transmissão em larga escala é sexual, é o uso de preservativo. Mas, o infectologista Pablo Velho esclarece que há uma outra alternativa disponível na rede pública de saúde para evitar a contaminação em caso de exposição ao vírus. 

— Existe uma forma, semelhante à pilula do dia seguinte em relação à gestação, que é, depois de ter uma exposição sexual de risco, receber um medicamento que diminui a chance de se contaminar pelo HIV em unidades de saúde — afirma. 

Essa estratégia é chamada de Profilaxia Pós-Exposição, usada para casos de violência sexual ou de exposição de risco ocasional.  

— Se bebeu demais, nem lembra se usou preservativo ou sabe que não usou, procure uma unidade que você tem o direito à prevenção — explica o especialista.  

Para funcionar, a medicação deve ser administrada em até 72 horas após a relação desprotegida e precisa ser tomada durante 28 dias.  

— Quanto antes, mais eficaz — orienta. 

 

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