Nova suína

INOCÊNCIO NÓBREGA

A gripe suína, que começou em porcos, causada pela variante do vírus influenza,  desenvolvendo-se em larga escala no México, nos idos de 2009, chegou ao Brasil.  Na segunda metade desse ano, exigiu medidas cautelares pelas autoridades ligadas à saúde pública, a fim de conter sua disseminação, vindo a alterar a rotina de milhões de famílias. Também conhecida por H1N1, a sua persistência de vida ocasionou, mais tarde, a covid-19, desta feita globalizada.

Infectologistas apontaram, à época, o maior grau de contaminação entre as crianças, o dobro se considerada a faixa etária de adultos. Por ser uma doença infecciosa respiratória, sua maior ocorrência acontece em períodos de baixa temperatura e chuvosos, dependendo da região.  Diversos estados adotaram, preliminarmente, o isolamento social e a quarentena. O serviço público de ensino, bem como particular, foi escolhido como foco de proteção, no qual as recomendações sanitárias foram redobradas. Não menos que 15 milhões de estudantes, de cinco unidades da Federação e mais o Distrito Federal, tiveram suas rotinas alteradas. Nada de organizar cadernos, executar tarefas, uniformes, muito menos lanches. O horário de dormir e levantar-se sofreu mudanças.

No Rio de Janeiro, mais da metade de suas instituições de ensino adiou a volta às aulas, e em São Paulo não foi menor a adesão. Inúmeros locais do país também seguiram tais normas, submetendo-se às restrições impostas. Portanto, aulas suspensas, escolas fechadas. Pais e educadores reuniam-se, constantemente, palestras, cenas teatrais, abordavam o tema, visando   conscientizar a criançada.  Todos os segmentos da população deveriam se aperceber da exata dimensão do problema. Pairava um sentimento de pânico, embora a previsibilidade da ciência e das autoridades fosse de um surto epidêmico perfeitamente controlável e provavelmente passageiro.

Passado um decênio de relativa tranquilidade, ora convivemos com uma “nova suína”, do ponto de vista de se lidar com sua extraordinária força letal, praticamente insustentável. Rastreada, e outras duras ações de combate. Distanciamento obrigatório e uso de máscara são parte de um conjunto de severas determinações, convenientemente baixadas pelos governos estaduais e dos municípios. Não se falava em colapso do setor hospitalar. No Brasil ganhou um incondicional aliado, o Gabinete Paralelo do Planalto e seu Chefe da Presidência da República. Evitam interagir-se com governadores e prefeitos municipais, incutindo comportamentos incompatíveis entre o povo, desrespeitando o ordenamento científico, tomando retardadas medidas, só fazendo crescer o obituário nacional. Profunda diferença se comparada às ministeriáveis preocupações de 2009.

inocnf@gmail.com

Comentários
×