Nova presidente da UED defende luta por minorias

 

 

Ricardo Welbert 

 Três meses após a União Estudantil Divinopolitana (UED) ter sido ser alvo de denúncias feitas à Câmara por um ex-integrante que era secretário social, a entidade vem sendo renovada pelas mãos de uma nova presidente. Camila Moraes, 19 anos, estuda jornalismo na Universidade do Estado de Minas Gerais. O mandato dela começou em 28 de novembro e tem duração prevista de dois anos. Em entrevista ao Agora, ela fala sobre o primeiro mês de trabalho e explica como tenta fazer da UED uma entidade mais representativa.  

 Como se deu a sua candidatura à UED? 

A candidatura surgiu de um convite feito por um amigo. Inicialmente, não era para presidir. Era só para participar compondo chapa. A presidência surgiu nesse caminho. Nós já estávamos compromissados em reorganizar a entidade. Em relação ao processo eleitoral, a gente teve um momento conturbado, pois até o instante de se fechar as inscrições para a chapa, duas concorreram, mas uma delas foi indeferida porque um dos integrantes não tinha apresentado um documento. Minha chapa foi eleita durante uma assembleia, na qual ocorreu a homologação da chapa. Portanto, não houve um processo eleitoral com campanha e votos. A posse foi simbólica. Ainda não deu para agendar uma posse oficial, porque alguns dos componentes são de outras cidades. Esse evento de posse deve acontecer em março de 2018, após a volta às aulas.  

  O que significa um movimento estudantil? 

Eu enxergo o movimento estudantil como movimento social. Estando na presidência de uma entidade que representa o movimento estudantil, não deixarei de participar das pautas de movimentos sociais. A gente vai sair em defesa do movimento negro e dos movimentos feministas, por exemplo. Mas, uma coisa leva a outra. A UED vai se posicionar principalmente ao lado dos estudantes. As pautas estudantis serão traçadas e vamos discuti-las com os diretórios, centros acadêmicos e os grêmios estudantis.  

 Pretende fazer alguma mudança interna? 

A gente precisa organizar a parte do estatuto e deixar ele melhor organizado para a próxima gestão. Mais limpo e mais sólido para quem estiver chegando. Não tenho como entrar em detalhes sobre a questão estatutária, porque não tenho o estatuto em mãos. Mas algumas das mudanças deverão ocorrer nas regras para nomeação da diretoria, que acontecer ocorrer de outra forma. Também pretendemos fazer mudanças no regulamento do Regimento Interno.  

 A UED tem alguns programas em andamento. Um deles é uma parceria firmada com psicólogos para oferecer consultas a preços mais acessíveis aos estudantes. Esses itens serão mudados? 

É difícil eu dizer agora, porque ainda não tive o momento de sentar com a antiga gestão para planejar isso. Sei que tem muita coisa boa da gestão anterior que não veio a público. Quero ver o planejamento deles para saber o que eles conseguiram fazer, o que ainda são metas reais e o que ainda é ou não papel da UED. Eu não vou ser displicente com coisas que talvez considere erradas. Se houver, serão finalizadas.  

 Neste ano, a UED esteve em algumas manchetes negativas após uma briga interna gerar pronunciamentos na Câmara, inclusive com denúncia de má gestão, o que prejudicou a imagem da entidade. Como é pra você assumir a UED logo após? 

É complicado falar disso também, porque eu não estava aqui. Eu não vi esse processo acontecer. Não sei quem estava certo e quem estava errado. Mas acho que muitas dessas questões são resolvidas mexendo-se no estatuto. Colocando regras para o que pode e o que não pode ser feito. Se houve algum erro na gestão anterior, que seja investigado. Por mais que seja uma transição burocrática, agora é outra realidade. Nós vamos trabalhar no que acreditamos, que é na luta por direitos. A melhor forma de se pensar uma nova imagem da UED é trabalhando.  

 Seu slogan de campanha foi “Não enviaremos flores, só luta”. Um recado direto aos que criticam a defesa às minorias? 

Esse slogan traduz o intuito de sermos um movimento combativo. Não enviaremos flores deixando passar problemas. Estamos de olho e não chegamos até aqui para fazer carinho em ninguém. Estamos aqui para lutar.  

 

 

 

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