Nova gestora assume UPA dentro de 60 dias

 

Matheus Augusto

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto está prestes a mudar não apenas de gestão, mas também de funcionamento. Isso porque, além da saída da Santa Casa de Formiga e a entrada do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), de Belo Horizonte, alguns serviços deixarão de funcionar na unidade em readequações solicitadas pelo Ministério da Saúde (MS). A organização social IBDS se reuniu ontem com a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e solicitou entre 45 e 60 dias para fazer as visitas técnicas à UPA e realizar o processo seletivo de contratação dos funcionários. A expectativa é que a IBDS assine o contrato na próxima semana.

O secretário de Saúde, Amarildo Sousa, e a diretora de Urgência e Emergência, Cristiane Silva, deram mais detalhes sobre as mudanças que devem acontecer com a chegada na nova administradora.

Readequações

A diretora, Cristiane Silva, contou que, anteriormente, a UPA atendia além de suas atribuições e, neste novo momento, é necessário fazer mudanças, focando nos atendimentos de caráter de urgência.

— O Ministério, por auditoria, e o Ministério Público também, por diversas vezes já nos informaram que o nosso equipamento é maior do que é proposto pelo MS. Então, neste novo formato, a gente coloca o equipamento do tamanho que ele tem que ser, com as clínicas exigidas, com o número de atendimentos exigidos, mas somente dentro da assistência vocacionada para UPA — explicou.

O secretário de Saúde disse que, a fim de readequar a unidade, diversas ações já foram realizadas.

— A Prefeitura efetivamente tomou muitas medidas. A gente já trabalhou com a implantação da equipe de atenção domiciliar, desde o ano passado. O ambulatório de violência sexual e violência contra a mulher, que funcionava na UPA, a gente tirou. O ambulatório de ortopedia também tiramos. E colocamos o laboratório de análise dentro da unidade para que o processo de diagnóstico fique mais rápido — pontuou Amarildo.

Funcionários

Como reportado na terça-feira pelo Agora, o número de funcionários na UPA irá diminuir. O atual quadro de 357 profissionais será reduzido para 243. No entanto, segundo a Prefeitura, o atendimento não sofrerá alterações. O motivo é que, em escala de carreira, o profissional trabalha um dia e folga dois. Já na nova escala, por CLT, o trabalhador atende dia sim, dia não. Isso, segundo Amarildo e Cristiane, irá impactar de forma secundária em outros setores.

A Prefeitura já havia anunciado uma economia de R$ 8 milhões por ano, uma vez que os funcionários serão de responsabilidade da IBDS. Atualmente, os servidores efetivos, cerca de 30% do quadro da unidade, têm 70% de gratificação.

Ainda sobre a troca de funcionários, Amarildo explicou que o fato de o profissional ser contratado não significa que ele não possui experiência na área.

— Alguns processos vão ficar mais econômicos mesmo porque nossos funcionários efetivos têm um custeio maior do que os funcionários que são contratados. Mas a gente pretende fazer isso sem que haja um prejuízo assistencial. Nós já temos um grande efetivo de contratados, cerca de 70% que já têm experiência, que há três, quatro anos já trabalham na UPA Padre Roberto porque faz cinco anos que é uma empresa que trabalha com contratados — afirmou.

Metas

O novo contrato também prevê que uma parcela do valor a ser repassado mensalmente está sujeito ao cumprimento de metas que estão sendo elaboradas junto aos representantes da IBDS no plano de trabalho.

— A gente estabeleceu metas assistenciais a serem cumpridas. Então o contrato ficou por R$ 1,517 milhão por mês, mas a gente paga 80% da parcela fixa no início do mês e os 20% restantes ficam dependentes do cumprimento das metas — afirma a diretora.

Transição

Amarildo Sousa explicou que, apesar de a IBDS já ter sido homologada como vencedora do processo, ainda é preciso realizar os trâmites burocráticos.

— O contrato foi homologado. A empresa vencedora foi a IBDS e nós estivemos hoje [ontem] pela manhã tratando de vários assuntos para essa substituição. Agora falta a assinatura do contrato para a gente estabelecer a vigência. A empresa pediu em torno de 45 a 60 dias para que ocorra essa transição. Então, nós vamos conversar com a Santa Casa e fazer o processo concomitantemente para que ela entre sem nenhuma pendência e a Santa Casa saia sem nenhum problema — esclareceu.

Quando procurar a UPA?

A diretora de Urgência e Emergência, Cristiane Silva, explicou que a UPA serve para os atendimentos de urgência. Em casos mais leves, o paciente deve receber os primeiros cuidados e ser encaminhado para sua Unidade Básica de Saúde.

— 60% dos pacientes que vão à UPA não têm que ir à unidade. São pacientes classificados de verde e azul, que não precisam procurar este local para atendimento. Então, no novo formato, a UPA atende e contrareferrencia para a atenção primária — relatou a diretora.

Cristiane Silva também destacou que, com as mudanças previstas no edital, a UPA irá focar nos atendimentos de urgência. Segundo a diretora, atualmente, cerca de 60% dos pacientes da unidade não precisam ir à UPA e podem ter seus problemas solucionados em unidades básicas. Assim, não haverá mais equipes de neurologia e fisioterapia.

O secretário ressaltou que é fundamental a população entender quando procurar a UPA, a fim de evitar a superlotação da unidade.

— A UPA Padre Roberto é um equipamento que se destina ao atendimento de urgência. O paciente deve procurar todo aquele atendimento que sai do rotineiro, um acidente, uma dor aguda, uma febre alta. Então, quando ele passa pela UPA, ele é classificado. E, como a UPA é um equipamento de porta aberta, nós classificamos todos os pacientes, inclusive, os que não são para aquela unidade. É importante que o paciente, ao ser classificado, reconheça que a classificação dada pelo médico e, sendo para o atendimento da atenção primária, aceite, porque isso vai ajudar com que os pacientes efetivamente da urgência sejam atendidos mais rápido e com mais eficiência — contou.

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