Notificações de dengue ultrapassam dois mil

Matheus Augusto

Divinópolis continua vivendo uma epidemia de dengue e com baixas expectativas de melhoras. A cada semana, novas suspeitas aparecem. Neste ano, a cidade já registrou 2.023 notificações de dengue, sendo 601 casos confirmados. Mesmo com as ações da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), a situação continua grave — e pode piorar.

O próximo ano ainda nem começou, mas já não traz boas notícias em relação à doença. Em coletiva ontem, representantes da Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis (SRS-Div) informaram que a previsão é de aumento das ocorrências de dengue em 2020. Devido a esse futuro cenário, a intenção da SRS-Div é de intensificar as ações de prevenção neste ano.

Participaram da reunião o superintendente Regional de Saúde de Divinópolis, Alan Rodrigo da Silva; o coordenador de Vigilância em Saúde, Edilberto Flávio; o secretário Municipal de Saúde (Semusa), Amarildo de Sousa; e a referência técnica do Programa Estadual de Controle de Doenças Transmitidas pelo Aedes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Dionísio Pacceli Costa.

Em uma resolução assinada na última terça-feira, 14, o Governo de Minas autorizou o repasse complementar a 49 municípios com altos índices de dengue. Divinópolis aparece na lista e deve receber R$ 200 mil. Carmo do Cajuru também será contemplada, com o valor de R$ 20 mil.

Divinópolis

O secretário da Saúde ainda pontuou que é importante continuar em alerta, pois a expectativa de queda nas notificações não ocorreu.

— Divinópolis, dentro desse contexto dos 54 municípios, não é a cidade em pior situação, mas está em alerta. As últimas duas semanas apontaram um crescimento [de notificações]. Nós estamos em um período cuja tendência seria diminuir e isso não ocorreu. Queremos manter a população em alerta máximo para que não tenhamos uma epidemia pior — frisou o secretário.

A redução no número de casos suspeitos era esperada devido a uma queda significativa da temperatura. Segundo Alan, a meta é zerar o número de mortes em decorrência da picada do Aedes aegypti na região, trabalhando, principalmente, na detecção precoce da doença.

Futuro

Se o cenário atual é crítico, o alerta já vai ficar ligado para o próximo ano. A expectativa é que, em 2020, a situação da dengue piore.

— O Ministério da Saúde tem sinalizado que esse não é o nosso pior ano e, talvez, o ano de 2020 seja ainda pior do que este que estamos vivendo — destacou Dionísio.

O superintendente destacou que, pensando nisso, é importante já dar início às ações de prevenção ainda neste ano.

— Estamos com estratégia na região como um todo de intensificar, em todos os eixos e todas as frentes, durante o período fora da epidemia. Porque, historicamente, trabalhou-se muito o emergencial, e queremos trabalhar de maneira preventiva neste ano, pois o panorama não é legal — afirmou Alan.    

Fumacê

Desde o início deste mês, o estado encontra-se sem os produtos para a aplicação do fumacê. Os representantes da SRS-Div e o secretário de Saúde ressaltaram que a falta desse material não influencia na continuidade das outras ações, consideradas mais importantes.

— O fumacê, como é conhecido, é uma ação complementar. O próprio documento do Ministério da Saúde e as diretrizes nacionais para controle e prevenção de epidemias de dengue falam que é uma prevenção complementar, e que todas as outras ações preconizadas no programa devem ser preservadas e mantidas durante o uso do carro fumacê. Então ele é mais uma ação, mas não é a fundamental — destacou Dionísio.

Cenário geral

Sobre o aumento de casos neste ano, além da questão climática, o coordenador de Vigilância em Saúde destacou que possíveis criadouros dentro das casas também têm contribuído para esse crescimento.

— É difícil falar os motivos claramente quais são, ou enumerá-los pontualmente. Podemos relatar ou entender que o período chuvoso tem se estendido, e que esse panorama de acumulação de inservíveis dentro dos domicílios e residências é um fator contribuinte — informou Edilberto.

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