Nos 5 anos da estadualização, Uemg é assombrada por privatização

Maria Tereza Oliveira

Há exatos cinco anos, o sonho de tornar a Fundação Educacional de Divinópolis (Funedi) parte da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) era realizado. Porém, pode estar ameaçado. Isso porque, desde a campanha eleitoral do ano passado, o fantasma da privatização assombra os alunos da Uemg. O então candidato ao Governo de Minas, Romeu Zema (Novo), tinha em seu plano de governo a ideia de desestatizar a instituição. Mesmo que o atual governador tenha voltado atrás ainda durante a campanha, os rumores sobre a temida privatização ainda rondam a Uemg.

A Funedi, no dia 3 de setembro de 2014, oficialmente passou a ser uma das unidades da Uemg. A instituição é uma das três universidades públicas de Divinópolis. Em sua grade curricular, há cursos das áreas de ciências humanas, exatas e biológicas.

O assunto de uma possível desestatização repercutiu na Câmara durante a última reunião do mês de agosto, no dia 29. Diversos vereadores discursaram para os alunos dos cursos de fisioterapia e enfermagem, que lotaram o plenário para conseguir apoio em relação aos estágios. Foi neste contexto que a temida privatização da universidade foi citada.

Campanha

Durante a campanha, a maior polêmica envolvendo Zema foi em relação às desestatizações. Além da Uemg, o então candidato mencionava a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) como metas de privatização.

Porém, as medidas não foram vistas com bons olhos pelos eleitores e Zema voltou atrás. O principal temor era de que a privatização da instituição de ensino resultasse em barreiras de acesso ao ensino superior público no estado.

Após as críticas, Zema retirou o trecho das propostas de governo.

Privatizando

A Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) devem ser desestatizadas até 2021.

As privatizações da Cemig e Copasa fazem parte do plano de recuperação fiscal do Estado. De acordo com o governador, a proposta deve ser apresentada à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ainda neste mês.

Reforçar a necessidade

Os alunos da Uemg já debatem sobre o assunto. A maior preocupação deles é com a perda da democratização do estudo.

Para o estudante de engenharia de computação Luiz Gustavo Castro da Costa, de 23 anos, se a universidade for privatizada, ele não conseguirá pagar uma faculdade.

— A partir do momento em que a Uemg tornou-se pública, foram abertas mais vagas para que as pessoas tivessem chance de uma vida melhor — enalteceu.

Por outro lado, ele salientou que com a desestatização, o ensino pode ter a qualidade elevada.

— Não estão pagando em dia, por isso há uma rotatividade muito grande de professores. Não só do meu curso, mas nos outros também — apontou.

A estudante de jornalismo e presidente da União dos Estudantes de Divinópolis (UED), Camila Moraes Miranda, 20 anos, também destacou a atual situação da Uemg.

— Nós temos a realidade de uma universidade extremamente sucateada e é a cada dia mais precarizada pelo Governo do Estado. É claro que a possibilidade de privatização existe, mas o que temos percebido é muito mais um projeto de sucateamento da universidade para que assim, mais adiante, tenham um “motivo” para a desestatização — destacou.

Camila salienta que muitos alunos só tiveram acesso ao ensino superior graças à gratuidade.

— A privatização da Uemg não é só um projeto neoliberal, ele também é cruel. Isso porque vivemos em um país em que nem todo mundo consegue ter acesso ao ensino superior — lembrou.

Estado

Questionado pela reportagem, o Governo de Minas negou que exista a possibilidade eminente de desestatização da universidade.

— O Governo informa que a privatização de estatais mineiras está sendo avaliada por uma equipe técnica, para que as propostas sejam devidamente encaminhadas à ALMG. A Uemg não integra o projeto que será enviado pelo Poder Executivo ao Legislativo — reforçou.

Uemg

O Agora também entrou em contato com a Uemg. De acordo com a Diretoria Acadêmica da Unidade Divinópolis, não há informação neste sentido.

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