No limite

Preto no Branco 

Não se pode afirmar que a flexibilização para outros setores comerciais em Divinópolis tenha contribuído na piora dos indicadores nas últimas semanas. O certo é que inúmeras denúncias dão conta de que, em alguns bares, a situação até durante a semana está extremamente perigosa. São dezenas de pessoas amontoadas, bebendo, tocando e cantando, sem nenhuma proteção. Irresponsabilidade que contribuiu, sim, para o agravamento dos números na cidade e pode ter como consequência a regressão de onda, saindo da amarela para a vermelha. Se isso ocorrer, perdem não somente estas pessoas e os estabelecimentos que permitiram a algazarra, mas diversos outros setores que terão mais uma vez que lacrar as portas, infelizmente.

Quase lá 

Juntando isso acima e mais um pouco, o Governo do Estado, dentro do Minas Consciente, avaliou que Divinópolis teve um agravamento,  conforme índice utilizado no programa. A cidade marcava 11 pontos, mas chegou a 15 em poucos dias. Atinge a marca de 19 com crescimento significativo de novos casos, e pode entrar onda vermelha, que permite somente a abertura dos serviços essenciais. Será que é isso que ‒ não digo nem o empresariado ‒ a população quer? Duvido. Mas deveria ter pensado nisso antes de sair por aí agindo como se nada estivesse acontecendo. Toda ação tem sua reação, isso é fato. 

Salto expressivo 

Contra números, não há o que se argumentar. Os últimos boletins divulgados pela Saúde local mostram uma média de 70 novas confirmações diárias na cidade.  O número de mortes, então, nem se fala. O crescimento em agosto foi assustador. Para se ter uma ideia, em todo o mês de julho, a município contabilizou dez no total, já agosto fechou com 15. E setembro chegou mostrando que não será muito diferente. Somente nesta semana, já foram sete mortes confirmadas – duas ontem – atingindo a triste marca de 41 até agora. Índices que podem impactar ainda mais na decisão do Estado, amanhã. Até lá, nos resta torcer e orar, visto que não adianta tentar remendar a situação em cima da hora. “Não rezou em vida, na morte, não tem como mais!”

Na pressão

De agora para frente, será na base do “vai ou racha”. Reunião entre a Prefeitura, entidades representantes de classes e presidentes de associações debateu a atual situação epidemiológica do município. Na pauta, as medidas que podem ser adotadas para que Divinópolis não seja incluída na onda vermelha. Além de se encontrar formas para conter a disseminação do vírus, ficou definido que não haverá mais notificação educativa. As fiscalizações e execução de ações punitivas serão intensificadas. Inclusive, há a possibilidade até de suspensão de alvarás, para quem descumprir as regras. Só resta saber se há estrutura no Município para realizar megafiscalizações, pois não foi isso que se viu quando ainda só os serviços essenciais funcionavam. Bares não muito longe do Centro estiveram e continuam lotados sem nenhuma medida preventiva. Muita gente “mamada” conversando ao pé do ouvido. Imagine se pessoas neste estado vão se lembrar de usar máscara ou lavar as mãos? O mais triste não são estes frequentadores, a maioria dependente do álcool, mas quem está lúcido e deixa a coisa rolar solta. É exatamente por esta falta de consciência que chegamos a este ponto, e pode piorar!

No pescoço 

 Literalmente com “a faca no pescoço”. É assim que boa parte da população está vivendo. Endividada, sem emprego e perspectiva. Ônibus lotados, ruas cheias e um vírus perigoso circulando. Claro que muita gente precisa sair em busca do pão de cada dia, fatia do povo que pode ser considerada também linha de frente nesta pandemia, pois o risco de contaminação é grande todos os dias. No entanto, há aquela outra parcela que se imagina na Disney e bate perna dia e noite sem nenhuma necessidade. Se arrisca e coloca todo o resto na mesma situação. E vai falar para ver! Falta de noção é pouco, haja paciência. 



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