Ninho de cobras

Preto no Branco

As cobras causam ojeriza, pavor e medo em todo canto do mundo. Por estas bandas de cá, cascavel, jararaca e coral costumam ser as mais temidas devido ao veneno, muitas vezes, fatal. Mas não é segredo para ninguém que por aqui também e no restante do Brasil que as serpentes de duas pernas são traiçoeiras e causam a mesma repulsa. Quando o meio é político, então, os ninhos costumam ser pequenos para tantas criaturas que de longe cheira a veneno. Como Divinópolis não pertence a outro país, a realidade não é diferente. Coitado de quem se atrever a pelo menos passar perto do abrigo para a cria. As bocas já ficam abertas, prontas para dar o bote. O pior é que só tem dois caminhos: ou se torna uma delas, ou corre para bem longe. Para quem não se deixa dominar pelo “falso poder” e não tem os olhos voltados para o próprio umbigo, sem dúvida, a segunda opção é a melhor escolha. 

Novos dias

Falando de coisa boa, a semana começa em Divinópolis com a esperança renovada. A cidade avançou para a onda vermelha no plano Minas Consciente do Governo de Minas e, com ele, a economia local já enxerga um novo horizonte. Setor mais prejudicado com o abre e fecha causado pela pandemia, é hora de sacudir a poeira e tentar dar a volta  por cima. Fácil? Não resta dúvida de que não será, mas datas comemorativas que se aproximam como o Dia das Mães e dos Namorados enchem a todos de expectativa de que dias melhores virão. E, certamente, virão! Basta acreditar e arregaçar as mangas. 

Também muda 

Outros segmentos também fizeram alterações com a entrada em vigor da nova onda. O de política é um deles. A Câmara de Divinópolis, por exemplo, publicou na última sexta-feira portaria que estabelece medidas de controle de acesso nas atividades administrativas e gabinetes. O funcionamento passa a ser por meio de trabalho presencial diário, sem rodízio entre os servidores efetivos e comissionados da área administrativa. Porém os assessores parlamentares nomeados manterão o sistema de rodízio, com quantitativo equivalente a 50%. Além disso, a Casa atenderá praticamente em todas as funções das 8h às 18h e o público poderá participar das reuniões ordinárias e outros debates, atendendo todas as normas estabelecidas, é claro. Não deixa de ser um avanço importante, mas o vírus continua circulando, então, todo cuidado ainda é pouco.  

Não é única 

Outro fator a se comemorar – mesmo não sendo o esperado e apropriado para a situação – é o avanço na vacinação. Aos poucos a população vem sendo imunizada  e  a letargia vai dando lugar à agilidade. O  14º lote, apesar de pouquíssimas doses para a cidade,  significa que  não haverá paralisação, como há cerca de 15 dias, por falta do imunizante. Porém o alerta continua. Apenas a vacina não é suficiente para evitar a propagação do vírus, e a possível continuidade da pandemia. O comportamento da população é crucial. O avanço de onda não significa relaxamento e permissão para aglomerar. Isso vale, sobretudo, para aqueles atrevidos e desprovidos de sentimentos que insistem em infringir as medidas de segurança. Para estes devotos de São Tomé, não queiram experimentar um CTI ou uma intubação.

Tomar as ruas?

É isso mesmo? Pelo menos foi o que disse em alto e bom som o chefe da nação na última sexta. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que os militares seguirão suas ordens de tomar as ruas, caso necessário. Isso para garantir o direito de ir e vir, certamente uma indireta para algum governador e prefeito que ainda mantém o isolamento social para preservar vidas. Infelizmente, este é um exemplo que vem de cima. Sobre a inércia do governo federal em relação à pandemia, o que levou o país a este caos, ninguém fala, né?! Engraçado isso. Medidas ineficazes, propaganda e promessas de tratamento precoce levaram os chefes de Estados e municípios a tomarem essas medidas, sob o risco de serem responsabilizados por uma tragédia ainda maior. Mas, como passar a responsabilidade para outros é bem mais fácil do que assumi-la ou agir, continuamos andando para trás igual a caranguejo.

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