Negando as aparências

Editorial 

O tão falado e esperado “pico” de casos do coronavírus chegou a Minas Gerais, e apesar de muitas pessoas ainda estarem tentando “negar as aparências ao disfarçar as evidências”, agora, a única saída é se proteger. Estudo divulgado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que o pico chegou ao estado no dia 30 de abril, e deve durar até o dia 23 deste mês, e a previsão é que mais de cinco mil pessoas sejam infectadas no estado. Já para o Brasil, a projeção do pico é da próxima segunda-feira, 18, a 1º de junho, e mais de 500 mil infectados. Até ontem, mais de 11 mil pessoas haviam perdido a luta para a covid-19. Número alarmante de famílias que perderam pais, amigos, tios, avós, avôs, sobrinhos, primos queridos; isso sem contar aquelas famílias que perderam mais de um ente querido.

É triste, mas esta é a realidade. Mais de 11 mil sonhos e sorrisos que se foram. Aquele bom dia que não será mais dado, aquela ligação com a voz querida do outro lado da linha que não será mais atendida, e só quem está sentindo na pele sabe o que é. Apesar de todo o cenário caótico que o Brasil enfrenta, sem políticas públicas de assistência social, à saúde, sem uma economia forte, ainda tem gente que insiste em negar a realidade e em minimizar a gravidade do coronavírus. Desespero? Talvez! Alienação? É, pode ser! Uma fuga? Também! Mas, hoje, a única coisa que se tem comprovada mais do que a existência da covid-19 é que a ignorância mata, e vai matar muito mais que o próprio coronavírus.

Negar a existência do vírus, não querer usar máscaras, tomar os cuidados simples e necessários para a proteção, criar teorias da conspiração e tentar achar um culpado para isso tudo não vai mudar a situação do país, pelo contrário, só piorar. O coronavírus chegou, e ele mata e vai matar muito mais, infelizmente. São fatos, e, contra fatos, não há argumentos. Sem dúvida, a melhor saída desta situação é enfrentá-la, e não se esconder. A melhor opção que os brasileiros têm hoje é se proteger. Adotar medidas simples como: lavar as mãos com frequência, usar máscara, usar álcool em gel, sair de casa apenas em situações de extrema necessidade, e tudo o que todos já estão cansados de saber. 

A humanidade luta contra um inimigo invisível, um inimigo poderoso, que mata! Os cuidados são simples, mas alguns insistem na ignorância, ou seja, em um comportamento que só traz prejuízo à coletividade. Isso sem falar nas subnotificação, que só piora o momento. Em Divinópolis já são 127 casos confirmados, mais de 1.700 notificados, e uma morte, e não há número capaz de fazer com que algumas pessoas enxerguem a realidade.

Talvez porque ela seja dura demais para ser encarada? De tudo tem-se poucas certezas. Algumas delas são: o coronavírus mata, a ignorância e ganância também, e negar a realidade não vai fazer a situação mudar. O que precisa mudar neste momento é o comportamento do ser humano. O que precisa ser mudado agora é a humanidade. Talvez esta seja uma oportunidade para que todos possam praticar a empatia, é o que pode nos salvar neste momento.

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