Nas mãos dele mesmo

Editorial 

Já está mais do que comprovado que 2020 é um ano atípico. A covid-19 veio e tirou o mundo do “eixo”. A humanidade teve que reaprender, e ainda luta para sobreviver. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 133.217 pessoas morreram devido à doença no Brasil até ontem, e 936.313 no mundo. Mais de quatro milhões de casos já foram registrados no Brasil, e mais de 29 milhões no mundo. E a situação parece estar bem longe de ter um fim. Ainda não há um remédio que cure a doença, ainda não há vacina; tudo ainda está na prevenção – e oração para quem acredita. Em outras palavras, tudo ainda está nas mãos do ser humano: se prevenir usando máscara, lavando as mãos, cumprindo o isolamento domiciliar – para quem pode –, evitar aglomerações, sair de casa só em caso de extrema necessidade, se manter são e por aí vai. 

A pandemia colocou o ser humano à prova e trouxe à tona também a teoria do naturalista Charles Darwin (1809-1882), de que os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados, deixando um número maior de descendentes. Ainda segundo Darwin, os organismos mais bem adaptados são, portanto, selecionados para aquele ambiente. Diante alguns comportamentos, é praticamente impossível discordar de Darwin. Pois, com os números oficiais de mortes e contágio, o avanço da covid e a falta de expectativa de quando tudo voltará ao normal – que é quando as pessoas pararem de morrer por causa do coronavírus – o que resta é dizer: Darwin tinha razão, somente quem se adaptar ao ambiente, somente quem seguir as regras terá mais chances de sobreviver ao cenário atual. 

Deixando a teoria um pouco de lado e seguindo para o lado mais prático e racional, a escolha de sobreviver ou não está nas mãos do ser humano, que tem pela frente enfrentar mais um grande problema: a dengue. Apesar de os olhos do mundo estarem voltados para o coronavírus, os brasileiros têm outro grande inimigo que mata milhares de pessoas no país todos os anos: o mosquito Aedes aegypti. O período chuvoso se aproxima e aí fica a pergunta: os brasileiros saberão lidar com dengue e coronavírus? Quem já não gosta muito de usar máscara e seguir as outras recomendações de prevenção da covid, conseguirá limpar seu quintal? Quem já não se importava muito com o outro e deixava focos do mosquito em suas residências, conseguirá lidar com mais este problema? 

Esta situação com certeza já deve estar tirando o sono de muito gestor de saúde por aí. Afinal, se boa parte da população já não conseguia trabalhar na prevenção, imagine agora, que tem que se prevenir de um vírus altamente letal? Pois é, tudo não é ruim o suficiente que não possa piorar. Mais uma prova de fogo vem aí, e mais uma vez o ser humano terá que mostrar o quão empático é e o quanto consegue se adaptar a um ambiente em nome da sobrevivência.  Mais uma vez, o povo está nas mãos do povo, e a prevenção será a ordem da vez. Pois, ao imaginar covid, dengue e hospitais, é impossível não se pensar caos. 

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