Não tá fácil pra ninguém. E vai piorar

Ricardo Welbert

O ex-presidente Lula teve nesta segunda-feira, 19, dificuldade pra fazer a campanha dele no Rio Grande do Sul. Houve protestos contra a presença do petista em Bagé e em Santana do Livramento.

Produtores rurais e empresários se concentraram a poucos metros das pessoas que estavam lá para apoiar Lula. Usando cavalos, tratores e bonecos de Lula com roupa de presidiário, gritaram em protesto contra o interesse de Lula em ter o nome na urna eletrônica nas eleições presidenciais deste ano. Levantaram faixas e cartazes chamando Lula de “ladrão”.

Isso acaba um pouco com a ideia do PT e de outros partidos da esquerda de que não importa por onde passem, sempre terão multidões ávidas por vê-los, tocá-los, abraçá-los, beijá-los e, o mais importante, votá-los. Depois que a operação Lava Jato e outras ações policiais e judiciais mandaram tanto político corruto pra cadeia, os brasileiros estão muito mais interessados sobre política e justamente por isso também estão muito mais críticos.

Hoje em dia, político que quer ganhar a cabeça e o coração do eleitorado precisa fazer muito mais do que só gritar palavras de ordem. Precisa mostrar a que veio e o que é capaz de fazer para entregar os avanços que propõe.

Esse novo jeito de fazer campanha vale pra todos – independentemente se é candidato de esquerda, direita ou centro. Já estamos quase no fim de março e as eleições serão em outubro. Candidato que ainda não tenha se ajustado a essa realidade pode colocar as barbas de molho, porque o risco de se decepcionar com o resultado é grande.

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