Não podemos esquecer

O tempo está passando e a vida seguindo seu curso como deve ser. O sol nasce e se põe, e, aos poucos, a tragédia de Brumadinho, antes tão presente na vida dos brasileiros, é deixada de lado por quem não está envolvido diretamente com a situação, em prol da rotina. Aos poucos, Brumadinho cai no esquecimento, assim como Mariana caiu, e tantas outras cidades vítimas do mesmo crime. Já são 15 dias da tragédia, e muitos já deixaram o seu posto de voluntário, outros já deixaram o seu cargo de repórter na cobertura a catástrofe e tantos outros tiveram que seguir a vida. Menos aqueles que esperam ansiosamente entregar cada corpo, de cada vítima, aos seus familiares.

Mesmo 15 dias depois do rompimento da barragem em Brumadinho, os Bombeiros continuam o seu trabalho arduamente e sem previsão de suspender as buscas. Mesmo com o cansaço, o 13° salário parcelado em 11 vezes, o salário parcelado em duas, eles seguem adiante. Eles seguem em busca de algo que talvez nunca será entregue, mas eles seguem. Seguem debaixo de um sol escaldante, e um calor insuportável, seguem debaixo de chuva, seguem pela lama, mas seguem. Seguem em busca para dar alento aos familiares, para dar dignidade às vítimas e, em parte, uma resposta à sociedade.

O tempo é cruel, é implacável, e hoje, muitas páginas de jornais, que antes estampavam as notícias de Brumadinho, deram lugar ao cotidiano de suas cidades. Enquanto a rotina por aqui é uma, a de lá é outra, é triste, é dolorosa. E quem também busca dar alento aos familiares das vítimas, e aos moradores da cidade, são aqueles que mesmo 15 dias depois permanecem firmes no voluntariado. Levantam cedo, oferecem café, almoço, janta, lavam as roupas dos bombeiros, improvisam consultórios, escutam um choro, um desabafo, e tentam contribuir da melhor maneira possível.

Em meio ao caos, ainda é encontrado o amor. Em meio à tragédia, ainda é encontrada solidariedade. Em meio ao desespero ainda é encontrado o alento. No meio desse tsunami de lama, os brasileiros conseguiram mostrar que ainda há esperança para este país. Em menos de dois dias, Brumadinho recebeu toneladas de doações, suficientes para os atingidos por um bom tempo. Em meio ao tsunami da ganância, os brasileiros se uniram e se voluntariaram para ajudar o próximo. Em um gesto lindo, todos se juntaram em meio à dor. Em um gesto maravilhoso, muitos guardaram a própria dor no “bolso”, e foram ajudar o outro, que também sofria.

Já se passaram 15 dias desde a fatídica hora 12h28 do dia 25 de janeiro, e justamente quando tudo começa a caminhar para o esquecimento, para “mais um na estatística”, o amor sobrevive, e a solidariedade se mantém de pé. Impossível continuar a vida, e fechar os olhos para o belíssimo trabalho que o Corpo de Bombeiros e os voluntários continuam fazendo em Brumadinho. São ações como essas que trazem uma fagulha de esperança ao coração. São ações como essas, mesmo em meio ao caos, à destruição, que nos fazem ter esperança em um amanhã melhor. Afinal, juntos somos mais fortes.

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