Não olhe para trás, não é para lá que você vai!

Fernanda Vargas 

A vida segue sempre em frente e o tempo é o melhor remédio para qualquer mal. Viver preso ao passado, nas lembranças boas e que não voltam mais, nas decisões desacertadas e nas escolhas erradas é sinônimo de escolher o caminho mais triste a seguir.

Ao mesmo tempo em que viver preso ao passado não trará felicidade, ter excessiva preocupação com o futuro e deixar de ser feliz agora também não garantirá a felicidade. Claro que devemos aprender com os erros do passado, para evitar de cometê-los novamente, mas o presente tem já em seu nome a explicação: é um presente!!!

Você tem que aprender a usar o presente que a vida te dá a cada novo dia! É sinal de sabedoria saber viver cada dia de forma única, apenas lembrando-se do que passou de ruim e onde errou como forma de aprendizado, mas sem se punir eternamente pelos seus erros ou se vitimizar para sempre com o sofrimento que ficou no passado.

Ao mesmo tempo que deve usar o passado apenas como aprendizado ou lembranças de dias felizes, você precisa ter esperança de uma vida longa, tranquila e saudável e preparar-se para viver esses anos da melhor forma possível. Mas lembre-se: ter uma vida avarenta, como se nunca fosse morrer é tolice, do mesmo modo que viver de forma desenfreada e gastando tudo ou mais do que ganha, como se nunca fosse envelhecer ou adoecer, é uma burrice. Você precisa aprender a dosar: o passado te ensina, o presente você vive e o futuro você se prepara para ele apenas vivendo bem o agora.

Viver preso ao passado ou viver apenas para um futuro incerto nunca trará a paz que tanto procuramos. De maneira consciente ou não, sempre buscamos a paz, mas nem sempre a alcançamos. Talvez isso ocorra pelas próprias decisões que tomamos ou pela própria carga que nos obrigamos a carregar. 

O mundo é, por natureza, uma moeda com dois lados, temos os dias bons e os ruins; temos as alegrias com os nascimentos em família e os momentos de sofrimento com a partida de entes queridos; temos a alegria de um casamento e a dor de uma separação; temos a alegria com os nossos filhos estudando e criando planos para uma vida de sucesso, mas, infelizmente,  muitos de nós passam ou já passaram pelo sofrimento com a dor de filhos que se perdem de si mesmos, ou quando procuram empregos e não encontram, ou quando se separam de seus relacionamentos. 

Sempre quando estiver vivendo o lado ruim da moeda da vida, você precisará se lembrar que terá o lado bom. A cada novo dia a moeda é sempre jogada para o alto, embora nunca sabemos de que lado vai cair. 

No último ano, como nunca, vivemos um momento de incerteza. A morte ficou mais perto e nos ronda de forma silenciosa por meio da covid-19. Podemos estar felizes agora, fazendo mil planos, dispondo de uma boa saúde e perdermos tudo, inclusive a vida, por causa deste vírus mortal.

A ansiedade, a insegurança e o medo estão presentes na vida e pensamento de muitos de nós. Mas é justamente esse medo de morrer ou perder quem amamos que nos fez vermos, talvez pela primeira vez em nossas vidas, de uma forma bem mais clara, o valor que a vida tem. Como diz a música de Gonzaguinha: “E a vida, o que é? Diga lá, meu irmão. Ela é a batida de um coração. Ela é uma doce ilusão. Êh! Ôh! E a vida. Ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão. Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, é uma gota, é um tempo que nem dá um segundo… Somos nós que fazemos a vida. Como der, ou puder, ou quiser. Sempre desejada. Por mais que esteja errada. NINGUÉM QUER A MORTE, SÓ SAÚDE E SORTE!”.

E a morte é a coisa mais certa que existe no mundo. Ninguém, por mais rico, mais saudável e mais inteligente que possa existir escapará da morte. Ela é democrática e alcança todos. Mas nunca queremos pensar nela. Vivemos como se nunca fossemos morrer. Isso é um erro! Então viva intensamente o dia de hoje, pois estamos em uma fila que se chama vida e ao fim dela há uma catraca que se chama morte e que você nunca poderá saber qual o lugar que ocupa nesta fila.

Então viva serenamente e não alimente a ansiedade, pois ela também mata. Preocupe-se em cuidar de você. Mas não crie problemas que não existem, não antecipe um sofrimento e, acima de tudo, preocupe-se com este vírus, pois o que você não vê pode te pegar. 

Fernanda Vargas é advogada 

fernanda@martinsfreitas.com.br

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