Não muda

Pagos para trabalhar ou fazer hora? É pergunta que se faz para boa parte dos vereadores da Câmara de Divinópolis. Não é a primeira vez que este PB e editoriais nesta mesma página abordam o tema e mostram de forma escancarada aos eleitores que os escolheram. E olha que não é de hoje. Para não falar de legislaturas mais antigas, relembremos a passada, período em que a falta de quórum reinou absoluta em diversas reuniões durante a legislatura. O que não é muito diferente nesta. O atual presidente da Casa, Eduardo Print Júnior (PSDB), perdeu as contas de quantas vezes precisou interromper os debates para chamar vereador. Uma vergonha. Corredores ao celular, gabinetes e plenarinho são os lugares preferidos. A alegação é sempre compromissos com demandas de gabinete. Se for, ótimo, o que se duvida muito. Mas, com apenas duas reuniões semanais, o restante dos dias não é suficiente para resolver essas pendengas? Fica a pergunta. 

Responsabilidade 

Para dissecar esta interrogação em um espaço bem maior, o Agora traz, na página 3 da edição de hoje, uma reportagem completa sobre o tema com depoimentos interessantes e apimentados. Fala-se em responsabilidade do presidente da Mesa Diretora e também da Comissão de Ética. Coincidentemente, caiu para a pauta de hoje um projeto de resolução que faz alterações no regimento interno do Legislativo. Duas são relevantes e intrigantes: uma delas permite a reeleição para a Mesa – o que atualmente é proibido. A justificativa é que a eleição fica mais democrática. Será? Os plantões de corredores diriam que se trata de manobra política.  A outra é com relação ao traje obrigatório. Caso aprovado, terá adequações de vestimentas para cada ocasião. Essa mudança é interessante e já vem tardia, visto que tem vereador vestido em reunião como se estivesse em algum “rolê”.  Porém, a pergunta é: vão colocar alguém na portaria para barrar se estiver com a roupa que não se adequa ao novo padrão?

Ocasiões 

Ficou estabelecido que nas solenidades, homenagens e em qualquer tipo de reunião solene, o traje será passeio completo. Já nas reuniões ordinárias e extraordinárias,  esporte fino. Nas audiências públicas, reuniões especiais e comunitárias, traje esporte. O próximo capítulo será na reunião desta tarde, onde os espectadores podem conferir in loco se o Plenário vazio vai prevalecer e se as mudanças no Regimento vão passar. Resta saber se pelo menos uns gatos pingados vão se animar, pois, se depender da população divinopolitana ir às reuniões e cobrar alguma coisa, os vereadores podem “deitar e rolar”.

Retrocesso 

Atraso aqui e no principal antro de malandragem do país. A adoção do distritão e a volta das coligações proporcionais nas eleições de 2022 estão entre as novidades aprovadas pela comissão especial da Câmara dos Deputados sobre mudanças nas regras eleitorais (PEC 125/11). O texto da relatora, deputada Renata Abreu (Pode-SP), ainda vai passar por dois turnos de votação no Plenário da Câmara antes de seguir para a análise do Senado. O texto original da PEC tratava apenas do adiamento das eleições em datas próximas a feriados, mas a relatora incluiu vários temas a fim de “aumentar o leque de propostas”. O texto-base da relatora foi aprovado por 22 votos a 11 na comissão. Se passou com essa facilidade por esse grupo aí dos nobres representantes do povo, não duvide se ocorrer o mesmo no Plenário. Manobras comuns e desrespeitosas em períodos que antecedem eleições. Mas que, infelizmente, todo mundo faz vistas grossas. 

No muro 

Na derrota da PEC do voto impresso no plenário da Câmara dos Deputados, 26 deputados mineiros votaram a favor. Muitos nomes conhecidos dos divinopolitanos. O único parlamentar a se abster durante a votação foi Aécio Neves (PSDB). Atitude típica de político que fica em cima do muro para não se indispor com nenhum dos lados. O objetivo? 2022 está logo ali.

 

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