Não há perspectiva para mudança de onda de academias

Superintendência acompanha situação da região e vê improvável reabertura imediata do setor

Matheus Augusto

Divinópolis aderiu ao Minas Consciente na última semana e, desde então, a Prefeitura tem recebido críticas e dúvidas quanto às consequências da decisão forçada pela Justiça. A principal delas é o funcionamento das academias, interrompido no último sábado, 8. O setor encontra-se na onda verde; Divinópolis, na amarela – um degrau a menos. Profissionais da área protestaram nesta semana pela reabertura, pedido que não deve ser atendido pelo governo do Estado, a não ser que a cidade avance de onda. 

Orientações

Ao Agora, o superintendente regional de Saúde em Divinópolis, Alan Rodrigo da Silva, explicou que as academias não eram autorizadas a abrir pelo programa estadual, mas foram reabertas, em algumas cidades, após a permissão das prefeituras. 

— Os municípios ainda não haviam aderido ao Minas Consciente. (...) No Minas Consciente, as academias não podiam abrir, mesmo antes da reformulação — explicou.

Ainda segundo o superintendente, é cedo para prever se Divinópolis avançará para a onda verde, mas, caso os dados avaliados em 3 de agosto se mantenham, a expectativa é de que o Estado mantenha a orientação de onda amarela. 

Quando anunciou a reformulação do programa, o governo comparou as ondas a um semáforo, com a vermelha sendo a orientação para parar e a verde para avançar, no que se refere às flexibilizações. Para Alan, é preciso tomar cuidado ao classificar a onda amarela.

— Algumas pessoas comentam que o amarelo é para acelerar mais e avançar o semáforo, quando, na verdade, significa reduzir a velocidade, ter atenção redobrada — comparou.  

Por isso, o estado ainda é de alerta e, caso os indicadores piorem, pode haver não apenas a manutenção da onda amarela, como o retrocesso para a vermelha – na qual é permitido o funcionamento apenas de serviços considerados essenciais. Dentre os parâmetros avaliados está a capacidade de atendimento, incidência de casos e velocidade de avanço da doença. 

Tempo de análise

O novo Minas Consciente entrou em vigor no último sábado. Apenas após 28 dias, a cidade saberá se poderá avançar para a onda verde. O tempo para mudança da onda vermelha para a amarela é menor, de sete dias. O tempo é necessário para garantir a segurança da flexibilização.

— Da onda vermelha para amarela é mais segura; da amarela para a vermelha é uma decisão muito grande, o risco de transmissão é muito grande, por isso uma análise quatro períodos e sete dias — detalhou. 

Ele ainda frisou que as ondas não são definidas por cidades, mas por microrregião. Consequentemente, os indicadores da microrregião precisam melhorar, e não apenas o de Divinópolis.

Benefício

Da macrorregião Oeste, 33 municípios já aderiram ao programa estadual; 20 ainda estão de fora. Apenas as microrregiões de Oliveira e Santo Antônio do Amparo estão em situação mais crítica. O superintende ainda afirmou que o programa estadual é fundamental para organizar e uniformizar as ações de combate à pandemia.

— Era muito preocupante [antes da adesão dos municípios]. Não dá pra controlar a pandemia com 853 protocolos diferentes. (...) A gente poderia inclusive ter números melhores se a adesão fosse feita antes — avaliou Alan.

Academias

O superintendente regional afirmou que não há perspectiva de mudança das academias da onda verde para a amarela, visto que, reforçou, os estabelecimentos já não eram liberados pela versão inicial do projeto. Ele ainda ressaltou reconhecer o papel fundamental e indiscutível das academias na saúde.

Sobre o argumento de que bares podem abrir, ele citou que o setor se enquadra no CNAE [Classificação Nacional de Atividades Econômicas] do ramo de alimentação e possui um protocolo muito rígido. Assim, cabe aos municípios fazerem uma fiscalização rigorosa para garantir o cumprimento das determinações.

Papel

Por fim, o superintendente regional, Alan Rodrigo, destacou a importância de, independente das definições do Minas Consciente e dos governos estaduais e municipais, cabe à população fazer sua parte e cuidar um do outro. 

Sem otimismo

O secretário adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, falou sobre o assunto durante a coletiva de terça-feira, 11. Segundo ele, como a reformulação do Minas Consciente entrou em vigor no último sábado, ainda é cedo para aprovar mudanças.

O Minas Consciente, nesta segunda versão, foi apresentando recentemente. Não há, portanto, perspectiva de alteração dos protocolos neste momento — comunicou. 

As academias podem abrir apenas na última onda do protocolo, na verde. O motivo, conforme explicou o secretário, é a avaliação de um ambiente de risco.

— Em relação às academias, é muito importante destacar que as pessoas ali certamente ou muito provavelmente terão dificuldade em manutenção de máscara e é um local onde liberamos fluidos, suor, onde a probabilidade de risco de contágio é muito maior — citou.

Marcelo ainda pontuou que, apesar de não ver como prováveis mudanças imediatas das ondas das atividades, o comitê estadual mantém diálogo com os setores para futuras alterações no Minas Consciente. O secretário-adjunto ressaltou também que há reuniões durante toda a semana para avaliar a necessidade de adequações no protocolo atual. 

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