Não há dinheiro

Preto no Branco

Não há dinheiro 

Falar da morte do ator Paulo Gustavo com apenas 42 anos por covid-19 é representar milhares de famílias neste Brasil que perderam seus parentes, muitos tão jovens quanto ele. O assunto do dia no Brasil comoveu não somente os fãs do brilhante ator, mas principalmente quem é anônimo e cuja perda do familiar, do amigo, apenas entrou na estatística porque não era conhecido. E não é porque pertenciam a classes sociais menos privilegiadas, é simplesmente porque não há dinheiro neste mundo capaz de combater este vírus invisível e mortal quando ele se aloja no corpo de alguém e decide que não vai embora enquanto não consumir o último sinal vital. Além disso, fica a lição de que o combate está muito acima de uma disputa política medíocre. 

Sem abraço 

Muito se fala nas consequências econômicas devido aos desdobramentos da pandemia, e todos têm muita razão, afinal, não se vive sem renda. Porém há outras ainda mais doídas, como o afastamento do convívio das pessoas que amamos e, principalmente, a morte. O próximo fim de semana é um exemplo, quando é comemorado o Dia das Mães. Quantos filhos não poderão abraçá-las e vice-versa? Alguns chegarão, no máximo, no portão das casas ou apartamentos, e outros apenas por videochamadas. É o segundo ano consecutivo em que a situação se repete e sabe-se lá até quando. Enquanto as separações continuam causando isolamento, dor e depressão, apoiadores do “nada está acontecendo”, insanos, se aglomeram nas ruas sem proteção em apoio ao principal incentivador e responsável por esta situação. Fazer o quê? No “manda que eu obedeço”, o grande vencedor é o vírus. 

Era previsível 

O mais triste de todo este contexto é que esta tragédia poderia ter sido evitada, pelo menos em 50%. Houve demora, falta de vontade e, principalmente, o não pensar no outro. Se as vacinas tivessem sido providenciadas ainda no ano passado e o incentivo a aglomerações e o não uso de itens preventivos não fosse tão incentivado, a situação não teria se agravado tanto. Só não vê quem não quer. A situação futura era mais que previsível. O ex- ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta confirmou isso e muito mais em seu depoimento à CPI da covid-19. Faltou ação, sobrou omissão. 

Dá para imaginar?

A quantidade de pessoas que perderam a vida para a covid chegou à triste marca de 400 mil brasileiros no mesmo fim de semana dos atos sem proteção contra prefeitos e governadores que ainda pensam em preservar vidas. De lá para cá, outras milhares de pessoas tiveram o mesmo destino, 412 mil até ontem. Dá para, pelo menos, imaginar uma população deste tamanho sumindo? Quase ninguém deve ter parado para pensar e fazer as contas, mas é como se uma cidade do tamanho de Montes Claros, no Norte do estado, a 5ª maior de Minas, simplesmente tivesse desaparecido do mapa. Pois é, é por aí, mas, para muita gente, é a mesma coisa que nada, pois o egoísmo se tornou maior do que o amor. 

Deixa legados?

É o que mais se ouve por aí. A pandemia do novo coronavírus vai deixar legados. Mas, pelas atitudes vistas no dia a dia, será? A humanidade realmente aprenderá com essa crise sem precedentes instalada há mais de um ano na vida de tanta gente? Ao ver e analisar todo o contexto, as mudanças são evidentes e necessárias em todos os âmbitos possíveis. Por enquanto, observa-se no comportamento social alguns avanços, como demonstrações de solidariedade, mas no meio de pessoas mais simples e com condições financeiras comprometidas. Tem gente por aí que não baixa o topete de jeito nenhum. E, mesmo que isso venha acontecer, certamente não será motivo para comemorar, visto que foi a custa de muito sofrimento e milhares de mortes. Mas, como todo fechamento resulta em uma nova abertura, não custa acreditar que toda esta aflição sirva de lição para a chegada de dias melhores. 

 

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