Não depende dos políticos

Em junho de 2018, o Agora recebeu a visita ilustre do então pré-candidato ao Governo do Estado, Romeu Zema (Novo). Zema foi entrevistado por uma de nossas repórteres e, quando questionado sobre como seria seu relacionamento com o Poder Legislativo e as alianças que faria, o empresário foi enfático em afirmar que isso iria acabar. Dentro de suas propostas, estava governar com independência, e ele foi categórico ao dizer que eram estas alianças que prejudicavam o Brasil. Sem sombra de dúvidas, o governador estava corretíssimo. Um dos pontos que atrapalham a evolução do país são estes conchavos feitos entre Executivo e o Legislativo. Estas alianças atrasam tudo e desrespeitam ainda o artigo segundo da Constituição Federal, que diz “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Em outras palavras, cada um deveria cuidar do seu quintal, mas de forma harmônica, para que os interesses do povo estivessem em primeiro lugar.

Acontece que tudo não passou de mais um sonho de verão. Ao assumir o Poder Executivo, Zema viu que a coisa não era bem assim. Que é impossível, para qualquer governador, para qualquer prefeito, e qualquer presidente, governar sem estar alinhado com o Legislativo. Ainda mais para quem pega a “casa bagunçada”, como ele pegou, logo após a sua posse. Minas Gerais tinha – ainda tem – bilhões de dívida com as prefeituras, com servidores, credores, obras importantes paradas, falta de investimento, ou seja, era um barco naufragando rapidamente. A missão era dura. Logo de cara, o governador foi obrigado entender que de boas intenções o inferno e a política estão lotados, e teve que procurar alianças, montar o seu governo e a sua base na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Isso decepcionou o seu eleitorado, que acreditou piamente que o empresário governaria com independência.

O fato é que, logo após a sua posse, Zema, como os demais políticos espalhados por este Brasil afora, descumpriu diversas promessas de campanha, mas não cabe a nós julgá-lo, afinal, uma coisa é imaginar como a situação é, e outra é vivê-la. O empresário está no poder há pouco mais de um ano e vê o desmanche de sua base na ALMG – tinha 22 deputados na base e hoje são só 16. Vê ainda sua imagem se desgastando com o projeto de aumento de 41% aos servidores da Segurança. O seu líder na Assembleia, Gustavo Valadares (PSDB), disse em um tweet, nesta quarta-feira, 19, que tinha nojo do partido Novo. Há seis meses, o governador trocou o então secretário de Governo, Custódio Mattos (PSDB), pelo atual, Bilac Pinto (DEM), mas parece que a coisa não está caminhando. Parece que a renovação em Minas Gerais não deu muito certo, assim como em Divinópolis, na Câmara. No Brasil, as coisas também andam fora do eixo.

Situações que mostram que esta não é a forma de o país realmente mudar, e que ela não está nas mãos dos políticos, mas, sim, do povo, que tem como dever se informar melhor, e tratar a política com mais racionalidade e menos paixão. A responsabilidade parece bater à porta, não há como escapar. Afinal, todo poder emana do povo. É tempo de renovação, mas não na política, e sim no eleitorado.

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