Não atrapalhar já ajuda

 Uma situação vem se tornando comum em Divinópolis. O Poder Público, amarrado por uma crise financeira questionável, já que com um pouco de gestão dá para se contornar parte dos problemas, agora, além de não participar da vida social da cidade, também resolveu atrapalhar em algumas situações.

Se algo ainda acontece em Divinópolis, é porque o povo desta cidade é perseverante, criativo e não tem medo de trabalhar. Esperar por apoio público para iniciativas, mesmo que de cunho social, é perda de tempo. Vários exemplos podem ser citados para ilustrar como as coisas vêm funcionando atualmente.

O primeiro exemplo é a mudança do festival Unidance para a cidade de Itaúna. O festival que movimenta pelo menos duas mil pessoas em Divinópolis foi transferido após recusa da Prefeitura em oferecer estrutura básica como ambulância e local para as apresentações, o que a cidade vizinha fez. O evento, que por 12 anos ofereceu espetáculos e oficinas de dança para a população, trazendo para a cidade cerca de mil bailarinos de outras regiões, alguns de renome internacional, ganhou apenas não do Poder Público. A gota d’água foi querer cobrar R$ 105 por hora de uso do Ginásio Poliesportivo, onde aconteceriam as apresentações.

Na sequência, veio a 41ª Copa de Judô, que vai acontecer em julho e quase deixa de ser realizada ou vai para outra cidade. O problema foi o mesmo do Unidance, querer cobrar a taxa para uso de um espaço público, em evento que, na verdade, traz enorme ganho para o social, esporte e cultura da cidade, sem contar a economia, já que os dois eventos citados até agora movimentam mais ou menos a mesma quantidade de pessoas. Público que se hospeda nos nossos hotéis, come nos restaurantes, movimenta o setor de entretenimento, de transportes e o comércio enfim. Movimento que, com certeza, agrega bem mais à economia do município do que os R$ 105 por hora para uso do Poliesportivo.

A mais nova perda é a Copa de Mountain Bike que será transferida para Carmo do Cajuru por não conseguir nenhum tipo de apoio da cidade. Neste caso, o jeito de atrapalhar foi outro, além de receber sucessivos nãos, a organização foi surpreendida com a Secretaria de Trânsito e Transportes, a Settrans, decidindo realizar um evento no mesmo dia para o qual estava programada a Copa. Não ajuda e ainda atrapalha.

São situações que mostram como a Reforma Administrativa do prefeito Galileu Machado (MDB) deve ser efetiva e liquidar situações criadas em gestões anteriores que não agregaram nada para a cidade. As secretarias de Cultura e Esportes hoje não têm orçamento para fazer praticamente nada, apenas mantêm funcionando os equipamentos como teatro, escola de música e biblioteca, no caso da cultura e escolinhas e pequenos eventos no caso do esporte. Tarefas que funcionam no piloto automático, não precisando de um secretário. Os concursados já seriam suficientes para que estas rotinas não deixassem de existir. São secretarias que se autoconsomem. Os salários dos desnecessários secretários e diretores nomeados seriam suficientes para apoiar algumas ações na cidade.

Divinópolis já aprendeu a viver sem este tipo de apoio e tudo que os atletas, bailarinos, líderes comunitários e empresários da cidade esperam agora é que o Poder Público pelo menos não atrapalhe o que eles vêm tentando fazer. Em outro momento, apresentaremos outras sugestões para a reforma, já que outras pastas também vêm se mostrando ineficientes, apenas gerando custos para a cidade.

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