Não aprendeu

Não aprendeu 

A tão sonhada onda verde chegou, a vacinação está em ritmo acelerado, boa parte da população já está imunizada, e claro, a vida aos poucos volta ao normal – com algumas medidas de prevenção, lógico! Consequentemente, os tão esperados e desejados eventos com grande público também. E, paralelo a isso, à vida voltando aos poucos ao normal, os fatos ocorridos neste mês mostraram que aquela história que “sairíamos melhores de tudo isso” não passou de uma grande “balela”. Em um espaço de 15 dias a população de Divinópolis viu um grave acidente registrado na rua Goiás esquina com 7 de Setembro, envolvendo sete jovens, a morte de um segurança durante uma festa realizada no parque de exposições, entre outros. Os fatos marcaram a cidade, e nos fizeram questionar se realmente aprendemos alguma coisa em 2020. 

O povo está indo para as ruas como uma “boiada estourada”. Vão para bares, festas e grandes eventos sem qualquer responsabilidade, o verdadeiro “como se não houvesse amanhã”. E a grande questão é: precisa disso tudo? Mas, talvez esse comportamento já era esperado, afinal, o que mais se viu durante o auge da pandemia da covid-19 foram pessoas agindo sem qualquer empatia, responsabilidade, amor ao próximo e amor a si mesmo. Se durante um dos momentos mais difíceis enfrentados pela humanidade alguns agiram assim, por que seria diferente agora, quando damos passos rumo à normalidade? Decepcionante. Essa é a palavra para o que se viu em Divinópolis em setembro. Jovens vivendo sem apreço à vida, sem amor ao próximo, e esbanjando irresponsabilidade. 

A culpa é quem? Dos produtores de eventos? Claramente não! Esse, sem sombra de dúvidas, foi um dos setores mais afetados pela pandemia. Agora, é chegado o tempo de se reerguer, e quem sabe, contar com responsabilidade daqueles que poderiam ser exemplo, mas insistem em ser frustração, em nos mostrar que demos errado como povo, e como seres humanos. Seguimos por aqui sem grandes expectativas de mudanças, afinal, o mês de setembro mostrou que não dá para se esperar muito do outro, pois esse outro está vivendo como se nunca tivesse existido uma pandemia, como se não fosse possível extrair aprendizado de um momento intenso e doloroso vivido em 2020, e parte de 2021. Seguimos com a certeza que nada mudou. Que o ser humano não melhorou, não ficou mais forte, não teve empatia, e continuará exatamente da mesma forma. 

Mas, isso já era minimamente esperado. Talvez não quiséssemos acreditar que mesmo depois de tudo aquilo continuaríamos os mesmos. Talvez a esperança de que o “pós” – que ainda não é pós – nos tornaria mais humanos, mais responsáveis, fosse o único remédio para driblar a dor latente da incerteza do futuro. Infelizmente já era esperado, e hoje estamos aqui, à espera de mais notícias que havíamos perdido o costume de ler, mas que estamos fadados a voltarmos a nos acostumar. Jovens perdendo a vida por irresponsabilidade, pessoas sendo mortas sem nenhum motivo aparente. É triste, mas é real, já era esperado, e seguiremos por aqui, sem grandes expectativas para esta humanidade que não aprendeu na dor.

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