Nada como um dia depois do outro!

Bob Clementino 

Quando estava vereador, Cleitinho Azevedo (CDN) sempre se posicionou contra a revisão da planta de valores do IPTU, que podia dar ao prefeito Galileu Machado (MDB) aumento de receita, se ajustado, uma vez que vários imóveis estão com preços em bagatelas de R$ 5, R$ 10, R$ 20 e fora da realidade do mercado imobiliário e fiscal.

Como a roda da história gira, agora seu irmão Gleidson Azevedo (PSC) é pré-candidato a prefeito de Divinópolis e a coisa parece mudar de figura. Foi o que deu para inferir, após a entrevista de Gleidson ao programa “Bom Dia Divinópolis”, da TV Candidés.  Ao ser questionado pelo âncora do programa, Flaviano Cunha, se iria defender a revisão do IPTU, o irmão do Cleitinho não disse nem sim nem não, mas respondeu indignado:  “Eu pago R$ 400 de IPTU de minha casa e tem casas em um condomínio de luxo que pagam R$ 30”, apontando, assim, a discrepância reinante.

Como os irmãos Azevedo mostram-se sempre revoltados com as injustiças sociais, ficou subentendido que sim: se eleito, vai defender a revisão da planta de valores do IPTU, que seu irmão, inexplicavelmente, rechaçou veementemente, quando vereador.

Poucos votos e muitos candidatos 

Tenho encontrado com vários pré-candidatos a prefeito de Divinópolis, para conversas políticas. Percebo por parte de alguma dificuldade em aceitar a nova realidade do quadro eleitoral. Apegam-se a uma situação benéfica à sua candidatura, sem lembrar que política é como nuvem, muda a todo momento. E isso em uma campanha é perigoso, pode levar à derrota. Uma mudança que pode ocorrer e que vai mudar a correlação de força é a redução dos votos válidos, em função da pandemia. Historicamente, os votos válidos para prefeito sempre estiveram mais ou menos em torno de 120 mil e neste ano podem cair para 90 a 100 mil votos.  Pelas circunstâncias do vírus chinês e receio de alguns eleitores, raciocina-se com a hipótese de que muitos optem por ficar em casa, no dia 15 de novembro.  Vamos ver se essas conjecturas vão se confirmar.

Socorro ao transporte público 

A crise no transporte público é real. Por isso, está tramitando na Câmara Federal o projeto de lei que cria um socorro financeiro às empresas de transporte coletivo, no valor de R$ 4 bilhões.

 O deputado Gustavo Fruet (PDT-PR) avaliou que a pandemia mostrou a “insustentabilidade de um sistema cuja crise vem se agravando e que, agora, está desnudada”. Diversas empresas de ônibus fecharam as portas em diferentes partes do país. No Rio de Janeiro, a SuperVia, concessionária dos trens suburbanos, acenou para a possibilidade de interromper serviços, e em São Paulo o Metrô reduziu no mês de julho 10% dos salários dos metroviários, alegando crise financeira, o que quase resultou em uma greve.

Pelo país, notícias de greves, paralisações pontuais e protestos de motoristas e cobradores de ônibus por falta ou atraso de pagamento são quase diárias. Quando o diretor do Consórcio TransOeste, Felipe Carvalho, aventou a possibilidade de a Prefeitura ter que, de alguma forma, ajudar o setor, vereadores desavisados quase foram à loucura. Mas a crise no transporte urbano sob a pandemia é real.

Querem um exemplo?

A Prefeitura de Uberlândia vai pagar R$ 25 milhões a empresas de transporte público. O objetivo é cobrir déficit de arrecadação do transporte coletivo devido à pandemia de covid-19.

Outro exemplo

A Prefeitura de Belo Horizonte decidiu adiantar a compra de créditos de vale-transporte ao funcionalismo para cerca de três meses. O objetivo é ajudar as empresas de ônibus, que têm sofrido queda de 70% no movimento desde março, quando as medidas para isolamento social começaram a ser aplicadas na cidade.

Antes que o caos se instale 

A relação de alguns vereadores com a concessionária do transporte coletivo de Divinópolis, a TransOeste, é de confronto, e esta postura pode levar o transporte coletivo da cidade ao caos. Por isso, a ousadia de postar na coluna essa realidade que, como mencionado, atinge o transporte coletivo no Brasil inteiro. Juízo, edis!

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