Na reta final do Enem, é hora de desacelerar e concentrar-se em poucos assuntos

Da Agência Brasil

Depois de meses ou anos de estudo, é chegada a reta final da preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O momento agora, segundo especialistas consultados pela Agência Brasil, é de diminuir o ritmo dos estudos, concentrando-se nos assuntos que historicamente mais caem nas provas; de colocar o sono em dia; e de ter uma alimentação mais saudável.

Aulas de revisão podem ser muito positivas, desde que não aumentem ainda mais a pressão sobre o estudante. Em meio a tudo isso, a família pode ter um papel fundamental, dando suporte tanto no aspecto emocional como logístico, na hora de levar o estudante até a sala onde os testes serão aplicados.

– Muitos alunos ficam ansiosos porque estão vindo de uma longa caminhada, mas agora é um momento de calma, foco e concentração. É a hora de ser seletivo sobre o que será revisado, e de cuidar do estado emocional. Também é importante organizar as rotinas de sono e fazer uma alimentação mais saudável – ensina o professor de Biologia e diretor do curso Olímpo, em Brasília, Mateus Grangeiro.

Segundo ele, nessa reta final o que mais importa não é o volume de informações e sim, a objetividade, no sentido de centrar os estudos nos assuntos que mais costumam cair nas provas.

– Se o trabalho técnico de conteúdo já foi construído, o momento é de desacelerar o ritmo de estudo – diz.

Revisão

Para o professor de Física Cícero Tavares, a reta final é o momento de dar “polimento à memória”, abordando apenas os conteúdos mais importantes. Nesse sentido, os chamados aulões de revisão podem ser uma boa pedida.

– Assistir a aulas como essas ajuda a tranquilizar o aluno, porque ele não fica em casa pensando que está parado enquanto o concorrente está estudando – acrescentou ele, ao enfatizar não ser bom exagerar nas horas de estudo durante essa reta final.

– O aluno não pode se sabotar porque, na hora da prova, ele terá de estar com a cabeça boa para ler com calma as questões – declarou o professor. Segundo ele, essa leitura pode ajudar muito os candidatos porque, em geral, há nesses textos informações muito importantes que podem melhorar o desempenho do candidato.

Dedicar-se apenas à leitura de textos relacionados ao conteúdo cobrado nos exames pode ser também uma boa estratégia nessa reta final, segundo o professor de Química Bruno Cirilo.

– Decoreba é algo que não vai dar muito certo. Agora é hora de, no máximo, revisar. Ler coisas que tenham a ver com os temas que em geral são apresentados na prova é uma boa pedida. Por exemplo, na área de ciências da natureza pode ser interessante que se faça leitura de coisas que envolvam impactos ambientais, abordando metais pesados – explica.

Todos os professores consultados pela Agência Brasil consideram arriscada a estratégia de tentar assimilar de última hora todo o conteúdo que não se conseguiu assimilar ao longo do ano.

Determinação

Com uma rotina de seis a oito horas de estudo diário, além do tempo em sala de aula, as estudantes Sara Araújo e Júlia Cardozo, ambas com 16 anos e pretendentes do curso de Medicina, dizem que só descansarão no próximo sábado, 4, véspera do primeiro teste do Enem. Já Samara Oliveira, 16, tem reduzido o tempo dedicados ao estudo extraclasse de oito para cinco horas diárias. Ela pretende cursar Odontologia.

As três são amigas e têm por hábito estudar juntas, o que, segundo elas, é algo bastante positivo.

– O contato com outros estudantes me estimula porque, quando as vejo estudando, sei que não posso ficar para trás. Com isso acabo estudando ainda mais – diz Samara.

– Observá-las me permite ver que é normal sentir as dificuldades que sinto, porque elas passam pelo mesmo – acrescenta a estudante.

– Não é uma questão de querer superá-las. É uma questão de eu querer me superar, a partir da minha comparação com elas – resume.

Isac Valdemir Andrade, 18 anos, está aproveitando os últimos dias antes do exame apenas para relembrar o que já foi estudado. Nesse sentido, diz o estudante, as aulas de revisão são de grande valia.

– Fico mais confiante quando essas aulas abordam coisas que eu já domino. São também importantes quando abordam o que não domino tanto, uma vez que me permitem ampliar as noções que já tenho sobre o assunto – diz o aspirante ao curso de Direito.

Família

O professor Grangeiro diz que há outros personagens, como a família, que também são muito importantes para ajudar os candidatos.

– Os país podem ajudar muito, principalmente dando aquele suporte emocional que faz toda a diferença. A pressão pelas quais os estudantes passam já é muito grande. Portanto, é importante dar tranquilidade a eles – explica Grangeiro.

– É interessante também que os pais ajudem no planejamento da ida ao local da prova. Nesse sentido, vale inclusive percorrer o trajeto antes e, no dia da prova, contar com o risco de dificuldades com o trânsito – acrescenta o professor.

O apoio que recebe dos pais tranquiliza e dá confiança para a estudante Isabela Pradera, 19 anos, fazer o Enem e, quem sabe, passar para o curso de Medicina.

– Nunca fico nervosa na hora da prova – afirma.

– Em primeiro lugar porque sei que estudei e aprendi muito nos últimos dois anos. Além disso, não me sinto pressionada porque tenho a ajuda, o apoio e a compreensão de minha família.

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