Mudanças no calendário escolar confundem pais

 

Maria Tereza Oliveira

Aproximadamente 14 mil estudantes da rede municipal voltam às salas de aulas no próximo dia 12. O calendário escolar já conta com inúmeros plot twists que deixaram a os pais de alunos confusos em vários aspectos. Antes do primeiro dia de aula, até os recursos para manter os salários da categoria em dia não estão claros e, o pesadelo de 2018 pode voltar.

As aulas municipais inicialmente estavam previstas para começar no próximo dia 12. No último dia 21, em uma assembleia realizada em Belo Horizonte, entre os membros da Associação Mineira dos Municípios (AMM) onde ficou decidido que as aulas da rede municipal iriam voltar no dia 11 de março, após o Carnaval. Porém, em mais uma reviravolta, na sexta-feira, 1º, outra vez o início das aulas voltou para o dia 12 de fevereiro.

Voltou atrás

A decisão de manter a previsão inicial do ano letivo pegou muita gente de surpresa. A Prefeitura afirmou que para que as aulas se iniciassem na data prevista originalmente.

De acordo com a secretária de Educação, Vera Prado, mesmo com a falta de repasses, o Executivo preferiu arcar com as despesas, para que os alunos não saíssem prejudicados.

Dívida

A Prefeitura informou que a dívida do Estado com o Município já chega à R$ 109 milhões. O Executivo salientou que o Governo Zema (Novo), de acordo os últimos levantamentos da Secretaria da Fazenda, deixou de depositar R$ 21 milhões referentes ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), transporte escolar, juros e correções dos atrasos dos repasses. 

Em 2018, a falta de repasses do Fundeb para a cidade resultou em uma greve geral da educação que quase fez com que os alunos perdessem um ano letivo.

Povo fala

Como consequência da nova data, as papelarias estão lotadas e funcionando em horários especiais. O Agora foi às ruas ouvir a opinião dos pais sobre a atual situação da educação municipal.

Suzana Jeunon, mãe da pequena Beatriz de oito anos, diz que as mudanças das datas causaram confusão para os pais.

— A gente teve de se programar três vezes para se adaptar ao calendário escolar. Faltou planejamento, pois se sabiam que conseguiriam iniciar as aulas com recursos próprios, por que anunciaram o atraso? — questionou.

Apesar de preferir o início no próximo dia 12, Suzana destaca que foi um desgaste desnecessário.

— No fim das contas é melhor para os alunos que não foram prejudicados, mas mesmo assim, os pais foram surpreendidos duas vezes em 15 dias — comparou.

Na mesma situação, o casal Kelly e Cleyton Resende foi às compras dos materiais junto dos filhos José Felipe, de 11 anos e Mariana, de 14 anos. Os pais estão satisfeitos com a “nova” data.

— No ano passado ficamos apreensivos com a greve. Neste ano a preocupação é ainda maior porque um ano importante para Mariana que no ano que vem vai para uma escola estadual — revelou Kelly.

Cleyton disse que financeiramente a mudança não atrapalhou tanto.

— A gente já tinha se programado como em todos os anos. Quando fiquei sabendo do atraso, eu até pensei que fosse ficar mais fácil, já que início de ano é mais pesado. Mas, no fim das contas, acabou tendo saldo positivo porque não atrapalhou o ano letivo dos meninos — destacou.

Déjà vu

No ano passado, a rede municipal de educação passou por momentos de tensão e incertezas com relação a salários atrasados que resultaram em uma greve geral.

Embora agora os salários atrasados tenham ficado no passado, a crise financeira ainda está presente, assim como os atrasos do repasses estaduais.  

Em 2018, o que levou os professores a pararem suas atividades é o mesmo fantasma que assola a educação outra vez.

Ameaça não cumprida

A pouco mais de um mês no governo, Zema ainda não caiu nas graças da população. Muitos eleitores esperavam soluções imediatas e, até o momento, o Governo Novo, continua usando os mesmos métodos de seu antecessor.

Não foi uma surpresa tão grande, quando dezenas de prefeitos aproveitaram a assembleia do dia 21 para tecer críticas a Zema e, inclusive, sugerir um impeachment do governador.

Entre as medidas propostas pela direção da AMM estava a ameaça de protocolar um pedido de impeachment do governador Romeu Zema (Novo) já no dia 1º de fevereiro, no retorno dos trabalhos na Assembleia. Todavia, a ameaça não foi cumprida.

Além do impeachment, os prefeitos sugeriram fazer uma grande manifestação no dia da posse dos deputados. Apesar de alguns terem acompanhado a posse, os prefeitos não protestaram.

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