Mudança de comportamento

Editorial

Sem sombra de dúvidas, um dos maiores responsáveis pelo Brasil estar do jeito que está é o comportamento do povo diante da política. Mais uma vez, escândalos de corrupção na esfera Federal estão vindo à tona ‒ e envolvem a pandemia de covid-19. Triste pensar que, enquanto os brasileiros lutavam para sobreviver a este caos sem fim, os ditos representantes do povo arrumavam maneiras de roubar, negando ao povo o direito à vida e à saúde. Mais triste ainda é pensar que essa situação não é a primeira e não será a última, pois vivemos em um país onde o político sempre vai arrumar um jeito de tirar vantagem da população. Triste, estarrecedor e revoltante. Talvez essas palavras ainda sejam poucas diante o escárnio que somos obrigados a assistir enquanto pessoas lutam por suas vidas em CTIs País afora; ao mesmo tempo que empresários lutam por suas empresas; ao passo que boa parte dos brasileiros lutam para ter o básico dentro de suas casas. 

E, se essa não é a primeira vez que vemos essa situação acontecer no Brasil, com certeza também não será a primeira vez que veremos tudo terminar em pizza. Pois se tem algo que incentiva os políticos a continuar com este comportamento é a certeza da impunidade. Mais de 500 mil vidas foram ceifadas pelo coronavírus, a mesma quantidade de famílias foram devastadas, enquanto quem deveria representar o povo, buscar soluções e procurar minimizar essa situação estava simplesmente arrumando maneiras de enriquecer. Talvez só isso seria suficiente para que todos se revoltassem e exigissem a saída daqueles que se dizem representantes do povo, mas aqui a coisa funciona mais ou menos assim: se é o meu candidato, então ele pode tudo, se é o da oposição, aí a situação muda. Deplorável, chocante e assombroso.

Infelizmente, vivemos em um país onde a revolta com os políticos é seletiva; lugar que a maioria deles é idolatrada, e não cobrada; onde o político rouba e ainda é aplaudido e cotado para uma possível reeleição. Talvez hoje a reflexão esteja mais voltada para o comportamento do povo, e não de seus representantes. Afinal, o direito ao voto foi dado à população há 32 anos e já era para ter aprendido a fazer suas escolhas há um bom tempo. Já era para ter aprendido a não cair na primeira conversa, no primeiro discurso bonito. Passou de tempo de os brasileiros terem aprendido a não idolatrar político, e sim a cobrar, a exigir. Mas, ao contrário, o que se vê por aí são escolhas cada vez mais duvidosas e comportamentos lamentáveis. E hoje, infelizmente, alguns pagam com a vida por causa disso. 

Talvez, quem sabe, um dia, o Brasil dê sinais de evolução quando a população finalmente entender que não é porque o seu candidato foi eleito que ele tem o direito de fazer o que quiser; que não se deve passar por cima de tudo e de todos, fechar os olhos para as coisas erradas, só porque o seu candidato está no poder. Talvez a chave para que o futuro comece a caminhar seja a mudança no comportamento do eleitor, e não dos políticos, pois esses todos já estão carecas de saber que não mudam. Talvez o futuro do país esteja nas mãos da população, e não de seus representantes.

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