Muda o foco

Preto no Branco 

Enquanto a Coposa adia pela sexta vez seguida a entrega das obras da ETE Itapecerica, o assunto na cidade é um só: Usina de Asfalto. Quando se achava que o não dos prefeitos ao projeto em apoio a Galileu Machado (MDB) encerraria a discussão, não é que o assunto ainda vai render pelo menos até o fim do mês? O vereador Edsom Sousa (sem partido) protocolou ontem um requerimento solicitando uma audiência pública, agendada para o próximo dia 23. Ainda hoje ocorre um protesto, liderado pelo vereador Matheus Costa (Cidadania), em frente ao Centro Administrativo. Gente, a intenção é boa e não custa insistir, mas vamos mudar o disco?

A novela

Não sei como alguns diretores ainda não descobriram Divinópolis como um celeiro assuntos e atores que protagonizariam excelentes papéis em novelas e até filmes. A Copasa é só um dos temas. Agora a justificativa da vez para o adiamento por mais 45 dias é a necessidade de alguns acertos. Vai ampliar a fase de testes e somente a partir de então deve ser iniciada a operação da unidade, prevista somente para maio. A aposta agora é qual será o motivo para nova extensão do prazo, findado este um mês e meio solicitado. Eu aposto em processos licitatórios. Aberto a sugestões.

Quem dará conta?

Se não deram até agora, certamente, ninguém dará. Foram audiências públicas na Câmara e na Assembleia Legislativa de Minas, gritos na Tribuna, protestos, reclamações e denúncias na Arsae, reuniões com o prefeito, e? Nada! A Copasa continua livre, leve e solta realizando as obras do tratamento do esgoto na cidade, que não acabam nunca mais. A cada vez que se pede um novo prazo, há uma promessa de data. Ela chega e adivinha? Mais prorrogação. Se a população, vereadores, prefeito, deputados e a empresa que a fiscaliza não deram conta de resolver a pendenga, quem poderá nos ajudar? Talvez, o Chapolin Colorado?

Fica para o próximo

Pelo contrato firmado com o Município, a Copasa deveria ter concluído a ETE em dezembro de 2016 e entregado a unidade já em funcionamento em janeiro de 2017. A primeira promessa foi quebrada. Em uma audiência de conciliação entre companhia e o ex-prefeito, Vladimir Azevedo, em agosto de 2016, foi dado novo prazo: dezembro de 2018. Ah, era o sonho do divinopolitano, que paga 50 ou 70% do valor da conta desde o início de 2017, ver a água do Itapecerica cristalina novamente. No entanto, virou o primeiro dos pesadelos. Quatro anos se passaram e o nosso rio segue judiado como nunca. Caso a situação se repita em 2020, com novos pedidos de prazos, a bomba vai cair no colo do próximo prefeito. E, se o cenário continuar se repetindo com uma má vontade política terrível, ou outros interesses, sabe-se lá, vai pular de colo em colo sem explodir. O motivo? Ela é composta de pólvora só para a população. Para os nossos representantes, é de algodão doce. Simples assim!

Na torcida

Garanto que está a população, para que a Usina de Asfalto saia de cena e entrem outros assuntos de extrema importância como este. Na expectativa também para que o Hospital Regional, as obras na MG-050 – outras novelas que o divinopolitano já tem ojeriza – não sirvam novamente só de palanque político em ano eleitoral, sob o risco de as urnas se tornarem o pesadelo de quem usa o povo para se promover. A atual legislatura na Câmara que o diga.

Faltou tudo

Não somente na Casa do povo, na Prefeitura também as coisas não fluíram, e não apenas por escassez de recursos, mas principalmente por pessoas próximas do prefeito. Umas querem mandar mais do que ele e outras não têm competência e jogo de cintura para ocupar o cargo. Prejudicou demasiadamente também a falta de diálogo entre o Executivo e o Legislativo, o que inviabilizou dezenas de benefícios para a cidade. Uma bagunça que o último ano de mandatos não será nunca suficiente nem para remendar. Que sirva de lição. Outubro manda lembranças.

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