Movimentos de mulheres buscam práticas políticas mais descentralizadas

Da Redação 

As mulheres ganharam as ruas pelo mundo. As marchas das vadias, das margaridas, além dos protestos que, anualmente, marcam o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, mobilizam, no Brasil, contingentes cada vez maiores de participantes interessadas na reinvenção das práticas políticas e do ativismo feminista e nas inovações democráticas como a implementação dos mandatos coletivos.

A professora e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Matos, diz que, hoje, é preciso falar em feminismos no plural.

Ela afirma, no entanto, que existe ampla conexão entre os movimentos e há pautas compartilhadas como o enfrentamento ao assédio, a descriminalização do aborto, o acesso aos direitos reprodutivos.

Contudo, a pesquisadora é enfática ao dizer que esses movimentos vêm se transformando desde o surgimento do que ela considera ser a 4ª onda feminista. Marlise explica que, a partir de 2000, se tem a institucionalização das pautas feministas pelo Estado.

— Se nos anos 1990 é a sociedade civil que mais se apropria dessas demandas, agora elas se encontram materializadas em políticas públicas bem específicas — aponta.

Pesquisa

A professora conta ainda que, nos anos de 2006 e 2010, a UFMG promoveu pesquisa em 18 países da América Latina para analisar a representação das mulheres nesses territórios. Foram entrevistadas representantes de organismos internacionais de direitos humanos como ONU Mulheres, de entidades civis, de partidos e ocupantes de cargos eletivos; ao todo, foram realizadas 250 entrevistas.

Segundo ela, todos os países instituíram ministérios ou secretarias de políticas para as mulheres e também contavam com planos nacionais destinados a implementar serviços para essa parcela da população, independentemente do espectro ideológico dos governos.

Marlise Matos chama a atenção para a existência de grupos que têm dado maior especificidade aos movimentos na América Latina. As feministas de Abya Yala agregam, em especial, mulheres indígenas que tecem uma leitura crítica dos processos de colonização.

— Elas possuem matrizes indígena e negra, questionam o desenvolvimento predatório do agronegócio e a exploração de recursos como o petróleo, pensando alternativas econômicas — explica a docente.

 

 

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