Moradores reclamam de trevo

 

Ana Laura Corrêa

Um homem de 44 anos ficou ferido em um acidente envolvendo dois carros na tarde de ontem, na BR-494, na altura do trevo do bairro Nova Fortaleza II. De acordo com o Samu, ele teve escoriações, ferimentos nos joelhos, e estava um pouco confuso por ter batido a cabeça.

Ainda segundo o Samu, o homem recebeu os primeiros socorros no local e foi encaminhado para o hospital Santa Mônica. A outra vítima não se feriu.

O acidente foi entre um Uno, que seguia pela 494, e um Palio, que saía do bairro para entrar na rodovia.  O fato foi registrado exatamente uma semana depois de um outro acidente ocorrido no mesmo local.

Também à tarde, no dia 16, um motociclista ficou ferido após colisão com um carro. Ele teve escoriações pelo corpo e suspeita de fratura, e foi levado para a UPA.

Antigo

Fabrício Santos, morador da região, afirmou que os acidentes no local são frequentes.

— Nesse trevo sempre há acidentes com carros à noite, atropelando cavalos, vacas. Até faz um tempo que não acontece, mas houve uma época em que era quase toda semana. Então, além de acidentes com veículos e pessoas, há acidentes com grandes animais — relatou.

Em agosto de 2017, por exemplo, três vacas que estavam na rodovia e na rua de acesso ao bairro foram atropeladas. Na época, os moradores reclamaram também da falta de iluminação e do mato alto, que atrapalha a visibilidade de quem entra e sai do bairro. Os problemas permanecem até hoje.

Moradores

Moradores da região afirmam que, devido ao mato alto, quase têm que entrar na rodovia para verificar se há algum veículo vindo ou se a pista está livre e podem acessá-la.

— Os motoristas usam o acostamento com se fosse uma terceira faixa. Mas, isso não é necessário, porque a rodovia não é tão cheia. Poderiam muito bem trafegar no meio da pista, mas vêm para a lateral, quase pegam a gente. Esse acostamento é, obrigatoriamente, o único lugar que temos para entrar na rodovia quando saímos do bairro — relatou a moradora Dalvina Laura de Castro Andrade.

Ela disse ainda que, por mais de uma vez, quase foi vítima de acidente no local.

—Duas ou três vezes, quando fui sair do bairro e entrar na rodovia, vieram caminhões em altíssima velocidade, atingindo o acostamento, que não é uma terceira faixa, é um acostamento, uma saída para os moradores. Eu estava confiando que a pista era para a gente sair, mas um caminhão quase me jogou a muitos metros de distância, eu que consegui sair fora rápido. Ele veio com tudo, iria me atingir e seria um acidente muito horrível — disse.

A moradora também cobrou soluções para o lugar.

— Queria que chegasse até o ouvido dos políticos e dos responsáveis pela nossa cidade. É muito difícil. Além de enfrentar buracos, que destroem nossos carros, temos que passar por isso.  É preciso fazer alguma coisa para nos ajudar. A entrada para o Nova Fortaleza II não foi planejada, ela simplesmente aconteceu. Ninguém fez nada, nem colocou redutor de velocidade. Está uma bagunça completa — resumiu.

Abandonado

O presidente da associação de moradores do Nova Fortaleza II, Luciano Zeferino Saldanha, informou que o bairro sofre com inúmeros problemas.

— A começar pelas duas entradas do bairro. A primeira no Residencial Rinaldo Campos, na qual houve o acidente ontem. A outra está toda esburacada, devido a uma empresa que trabalha com resíduo de siderúrgica e que recebe muitos caminhões. Os próprios moradores fizeram um paliativo, colocando terra nos buracos. Além disso, precisamos muito de redutores de velocidade em todo o trajeto do ônibus Nova Fortaleza II. Também sofremos com a falta de água, e o esgoto, no bairro, corre a céu aberto — ressaltou.

Segundo o presidente, a falta de iluminação nas entradas do bairro permanece.

—Na entrada de cima não há sinalização e nem o braço da iluminação. Os moradores param de ônibus na BR e na hora de atravessar é escuro. Muitas pessoas trabalham até mais tarde e na hora de ir para casa têm esse agravante — destacou Luciano.

O perigo é reconhecido pelos moradores.

— Verdade seja dita: o trevo, para ladrões, é uma mão cheia à noite. Além disso, foi mal feito. Não sou engenheira, mas é visível que algo ruim vai acontecer da forma que está. Só neste mês, acho que já foram quatro acidentes — relatou a moradora Cynthia Aparecida Candida.

Responsáveis

O Agora entrou em contato com a Prefeitura de Divinópolis para questionar se a Secretaria de Trânsito e Transportes (Settrans) tem acompanhado os acidentes no trevo do bairro e se há alguma mudança estrutural agendada para o local. A resposta foi que a rodovia é de responsabilidade da Policia Rodoviária. Esta, no entanto, não atendeu aos telefonemas do Agora.

A reportagem também entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela gestão de rodovias federais, mas, até o fechamento desta reportagem, às 19h30 de ontem, não obteve resposta.

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