Moradora denuncia irregularidades no Posto de Saúde Central

Mulher diz que unidade marca consultas antes de o médico chegar; local também supostamente está sem banheiro feminino

Bruno Bueno

O Agora recebeu, na tarde de ontem, denúncia de irregularidades no Posto de Saúde Central. A unidade, localizada no bairro Esplanada, foi alvo de críticas de uma mulher que prefere não se identificar. A moradora diz que o local marca consultas de pediatria antes de o médico responsável chegar e, além disso, estaria sem banheiro feminino disponível para as pacientes.

A moradora afirma ter vivenciado os dois problemas na manhã da última quarta-feira, 20. Segundo ela, ao levar seu bebê para uma consulta que estava marcada às 8h50, ela foi atendida somente às 11h30. A justificativa seria que as marcações começam mais cedo do que a chegada do profissional.

— A consulta do meu bebê estava marcada para às 8h50, porém, eu só fui atendida às 11h30. Nós fomos questionar o porquê de tanta demora, já que a criança não é igual a um adulto. Me explicaram que o médico pediatra só chega às 8h, no entanto eles começam as marcações por volta de 7h10. Logicamente vai embolar e causar aglomeração. Com esse risco da pandemia, isso é inadmissível. Uma criança jamais pode esperar mais de uma hora pelo médico chegar — disse.

 

‘Sem banheiro’

A moradora também explicou a situação envolvendo os banheiros do local. Conforme ela, o local estava sem sanitário feminino disponível se algum paciente precisasse.

— Devido a esse período que estávamos aguardando, minha mãe, que estava me ajudando,  ficou com vontade de usar o banheiro e perguntou onde ela poderia ir. A funcionária informou que estava estragado. Minha mãe, então, perguntou como ela iria fazer. A funcionária fez uma cara de indecisão e disse: “não sei”. Chateados com a situação, principalmente de ficar esperando tanto tempo com uma criança, resolvemos gravar o vídeo para mostrar — afirmou.

 

Diante da situação, a mãe e a denunciante resolveram gravar um vídeo para expor a situação. A publicação viralizou nas redes sociais.

— Olha a situação aqui no posto de saúde do Centro. Desde a madrugada nós estamos aqui há mais de três horas com a criança. Para fugir da chuva, olha a aglomeração de pessoas aqui na frente. Queria usar o banheiro, mas me disseram que ele está estragado. Imagina ficar quatro, cinco horas sem poder ir ao banheiro do posto de saúde porque ele está estragado? A gente está apertado, passando mal e não pode usar o banheiro —  ressaltou.

 

‘Intimidou’

Ainda segundo a denunciante, depois da gravação do vídeo, a direção do posto apareceu no local e intimidou mãe e filha.

— Depois disso, a funcionária saiu e chamou a gerente do posto. Nesse momento, já havíamos terminado de filmar. Ela chegou no sentido de inibir e começou a nos intimidar. A diretora disse que não poderíamos gravar porque, se vazasse a imagem de funcionário, iríamos ser processadas. É nosso direito usufruir de banheiro — afirmou.

 

Para contornar a situação, a direção, segundo a mulher, interrompeu a discussão e conduziu a mãe para usar um banheiro masculino.

— Como tinha muita gente observando a situação, eles contornaram o caso e falaram para minha mãe usar o banheiro masculino. Queriam levar ela para conversar. Depois do alvoroço, a coisa se resolveu. O que me deixa mais indignada é eles chegarem intimidando como se a minha mãe estivesse errada — salientou.

 

‘Falta de respeito’

A mulher enfatiza que considerou a situação uma falta de respeito. Ela ainda salienta que não levava seu bebê ao consultório pela falta de higiene do local.

— É uma falta de respeito. Se trata de uma criança. Alguém pode esperar 10 minutos para um médico chegar e começar os atendimentos. Mas, agora, uma hora? É um absurdo. Para você ter uma ideia, a consulta da minha criança era pra ser de rotina. Mas, pela falta de higiene, tinha mais de um ano que não levava ela para a consulta no posto — disse.

 

Posto de saúde

A reportagem compareceu na tarde de ontem ao Posto de Saúde Central para questionar sobre a situação. No local, a equipe foi informada que ninguém da direção da unidade estava disponível para conversar com o Agora. Servidoras do local informaram que não seria possível passar o telefone da responsável.

Na porta da unidade, uma mensagem dizia que nenhum médico estava atendendo naquele momento.

 

Prefeitura

A reportagem tentou entrar em contato com a Prefeitura para entender a situação. Até o fechamento desta página, às 17h30 de ontem, nenhuma resposta foi enviada.

 

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