Momentos, deliciosos momentos...

 Momentos, deliciosos momentos...

Amnysinho Rachid

 Neste sábado, eu e minha Cleide resolvemos dar uma voltinha. Cansados de ficar em casa, decidimos ir um pouquinho ao Ney Bar. Lá chegando, notamos que todas as mesas estavam com o distanciamento obrigatório pela pandemia e álcool gel para dar com o pau. Sentamos e pensamos “Vamos tomar umas cervejocas” e, logo depois, vazamos e a coisa rolou.

 Acredito que não precisamos muito para sermos felizes. Estando em um espaço com quem você conhece e é conhecido, pronto, está fácil de a coisa rolar solta ‒ e assim aconteceu.

 E a nossa mesa começou a receber adeptos a felicidade: Claudinha, Maísa, Janete, Helena, e a conversa começou a rolar. Digo sempre que nada melhor como celeiro de ideias e conhecimentos que uma mesa de boteco.

 O que mais gosto de estar num boteco é que tudo pode acontecer. Aparece gente que você não via há anos e a turma de todo dia. Me sinto mais repaginado, pois o momento de descontração faz isso acontecer. Veja, por exemplo, a troca de assuntos com a mesa vizinha e a ida ao banheiro. Conforme o trajeto, no mínimo, você conversa com umas cinco pessoas ou mais, fora a espera na fila dos apertadinhos. Só conto que rola.

 O melhor são os encontros com aqueles que estavam em outra mesa, com outras pessoas, e notam que sua mesa está muito melhor. Aí acontece aquela famosa transferência de grupo.

 Veja bem, um desses casos aconteceu com o Ivan, amigo das antigas que adentrou no nosso glorioso espaço e esqueceu da turma com quem veio. Aí foram só lembranças que rolaram.

 Como somos muito discretos e com uma educação esmerada no quesito risadas, vocês não imaginam a altura das gargalhadas.

 Como o boteco fica bem pertinho de onde, antigamente, era a zona boêmia, o que não faltou foi casos hilários do lugar mais alegre da cidade, pois, com certeza, o sexo ainda está no ar.

 Nosso amigo Ivan contou que, no auge dos seus 14 anos, foi à casa da famosa Dorotéia, e, já quase na saída, foi pego de surpresa com a chegada da Rapa ‒ para quem não conhece, era o famoso camburão da polícia. Os meganhas já chegavam pedindo os documentos. Nosso amigo Ivan já começou a bater bilela, tremendo da cabeça aos pés e, ao ser questionado pelo guarda, “E aí rapaz cadê os documentos, você é maior de idade?”, o Ivan responde com um fio de voz: “Tenho não, sr.”. Nisso, o guarda chega no pé do ouvido e diz: “Acho que vamos ter que levar para lavar as celas da cadeia, mas, se você sair correndo e não olhar pra trás, a gente esquece”. Ivan, como um peido escapulido, saiu voando ‒ o mais engraçado era que estava usando um sapato plataforma e uma calça boca sino, o grito da moda da época. Começou tropeçando e foi correndo sem olhar até no buracão da Sidil, aí notou que a turma não estava atrás.

 Acho que o tempo passou tão rápido que nem notamos que a noite chegou e até o amigo Bolina me perguntou se iria dormir lá. E, como alegria não podemos desperdiçar, ainda trouxemos a turma para nossa casa... Aí foram mais casos e alegrias que rolaram.

 Aos amigos Antônio de Pádua e Alécio, presentes neste especial boteco, meu abraço e a certeza que momentos como estes sempre vão e devem acontecer.

 E eu continuo aqui trabalhando nos sonhos e nas realizações, NO HALL Negócios Imobiliários, rua Paraíba, 913, Centro. 

 

 



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